27.10.18

Uma carta para a antiga Helena, depois de terminar a 101/1001

24 de outubro de 2018

Querida eu do passado,

Hoje eu li a sua carta + comentários sobre a 101/1001, um dia depois de acabar o prazo para ela. Talvez atrasada, porque muita coisa mudou no tempo que você tinha para o que eu tenho agora. Muita coisa mudou em tudo.

Eu estou concluindo um processo de coração partido e quando você me escreveu em maio de 2016 você estava confusa sobre o fato de não se apaixonar por alguém em muito tempo. Você se apaixonou, você amou e agora até já acabou. É estranho não, é? Para mim isso parece tão longe no passado, eu nem me lembrava. E também me lembrei que você nem mesmo queria namorar nessa época, eu me lembro bem disso. Você só queria se apaixonar para saber que nada estava errado. Nós continuamos com esses sentimentos que não fazem sentido.

Agora eu sei que a 101 não funciona para gente (você já até devia saber), é muita coisa e muito tempo e isso sai de foco e depois as conquistas não parecem mais tão importantes... No entanto, ler ela hoje me fez perceber como eu me acomodo. Como eu me acomodei depois de um tempo trabalhando na 101 e foi ficando cada vez mais espaçadas as conquistas de cada item. E não por causa de, mas porque sempre acabamos nisso. Continuamos péssimas para fazer metas, mas acho que está na hora de começarmos; a fazer metas reais, a listá-las em um papel e as manter em mente e simplesmente fazer, FAZER COISAS. Você disse tanto isso, esse sentimento sumiu um pouco de mim... Obrigada por trazer isso e tantas outras coisas de volta a minha mente.

Antes de ler a carta eu estava vendo o nosso Instagram e algumas das fotos da época em que você fez e escreveu isso. Tudo parece tão diferente, mas eu ainda te sinto aqui dentro, pulsando em alguns momentos. Olhar o feed me fez reforçar o que eu estava pensando antes, você era muito boa em ser sua melhor companhia e você trabalhou para isso, e eu ainda sou assim, eu só precisava me lembrar melhor.

O que eu acho que quero dizer com tudo isso é que nós permitimos ao novo, como você pediu. Nós fizemos bastante coisas, fizemos coisas que nem estavam na lista, como mudar totalmente o cabelo. Nós trabalhamos num lugar que você não imaginava, tivemos muitos momentos. Mas continuamos também a mesma pessoa que se foca no que deu errado tão mais facilmente, ou pensa em coisas que queria muito não pensar, e em coisas que nem são verdadeiras. E precisamos/preciso quebrar esse vício em achar que antes estava vivendo mais e fazendo mais, porque eu tenho certeza que você acharia que eu estou melhor, ou que uma eu do passado estava, enquanto eu não acho que estou melhor.

Só que eu também sei o quanto é difícil quebrar padrões de pensamentos, eu sempre volto a isso e nunca termino. Espero continuar tentando até vencer nem que seja pelo simples cansaço.Eu espero que a próxima futura eu esteja orgulhosa de mim, como eu fiquei de você; eu gostaria muito de sentar com você no recreio, eu sei disso. E vou te usar como um guia, se preciso for.

Quanto aos itens, nós completamos 59 itens, alguns não foram feitos, outros parados na tentativa. Foi muito bom passar o fim do meu almoço lendo e tentando apenas focar nas coisas boas. Está chovendo hoje, o calor deu uma pequena trégua, e estou ouvindo Jazz! As coisas estão diferentes, eu acho que você ficaria feliz, ou pelo menos seria compreensiva sobre tudo.

Você merecia o mundo.

Nós merecemos o mundo.
Com carinho, 
Helena do futuro hahah

27 de outubro de 2018

Querida Helena de 17 anos,

voltei, descobri mais coisas a dizer para você. 

Ontem a noite eu cheguei da faculdade me sentindo triste (não pelos mesmo motivos que você se sentia), por causa do mundo. E de tudo que está acontecendo que enche nosso coração de medo. E eu não queria dormir, você sabe de qual sensação estou falando, não queria dormir triste. Então, eu abri nosso pote de moedas para contá-las. E o tempo todo fiquei conversando com a Dani a Tati e a Gih, (eu sei que você está feliz em saber que continuamos juntas no SA, eu também estou!). 

E foi bom, a tristeza não foi toda embora porque... como a gente ignora o mundo?, mas ela ficou no fundo e teve que ser o suficiente; eu estive pensando que foi muito bom sua carta, o fim do pote e da lista me encontrarem agora. Me faz acreditar em coisas maiores no universo e no tempo certo das coisas. E eu queria te agradecer, por ter começado a 101, por ter feito junto com a Dani, por ter começado um pote de moedas e me deixado um bilhete dentro dele (eu sabia que ele estava lá o tempo todo, eu nunca me esqueci). Eu fiquei muito feliz em abrir esse pote, em ter tantas moedas, foi muito gostoso. Como você já sabia, ainda não sabemos o que fazer com o dinheiro das moedas. E eu me sinto apegada a elas, para te ser sincera. Me sinto apegada a tudo que isso significa, mas eu gosto desses sentimentos, de tudo que eles me fazem lembrar, de quem nós somos. 

Eu quero continuar com esse pote, vou acabar me aventurando em outra lista doida, nada mudou! Eu espero que tudo fique bem até a próxima Helena me encontrar em uma carta (sei que estou dizendo isso mais para mim do que para você).

Continuando a linha de totalmente sincera, também foi estranho abrir o pote e ficar pensando frases como "as moedas que guardamos quando a gente não sabia que haveria medo em nossos corações quando as pegássemos de volta", às vezes o mundo pesa demais. 

Bom você vai gostar de saber que havia 101 reais no pote (tirando as 5 moedas comemorativas que não vamos nos desfazer, por motivos). 101 reais do pote da lista de 101 coisas. 101 reais redondo, mesmo se tratando de moedas! 

Acho que agora foi tudo que eu queria te contar, e nem vou me importar que essas cartas parecem só um monte de parágrafos soltos, obrigada por ter feito tantas coisas, obrigada por me encontrar agora, obrigada pelo bilhete com o "lema" da Cinderela e o dos Nerdfighters. Eu te amo!

Helena de 19 anos.

7.9.18

Uma conversa, um poema

eu você
você eu
não e,
talvez é

teus olhos
me vêem
como eu
me vejo

e como
às vezes
não vejo
mais

mas gostaria
de me
ver
pelos teus olhos

é tarde
há palavras
que precisam
sair

para, talvez
encontrar um peito
que saiba
como é

não saber

coisas que
não temos
certeza se
deviam ser ditas

mas que
precisavam
ser ouvidas

compartilhadas
numa procura
por não sei o quê

talvez eu
talvez você
eu você
você eu
- helena 

23.8.18

Sentimentos sem nome e Grace and Frankie

Esse texto contém spoilers do último episódio da primeira temporada de Grace and Frankie.

Em 2016 eu assisti Her, até hoje eu não tenho total certeza do que senti com esse filme. Uma das passagens que de vez em quando lembro é do Theodore dizendo "Às vezes acho que já senti tudo que eu deveria sentir. e que de agora em diante não sentirei mais nada novo. Somente versões menores do que eu já senti", não lembro desse trecho por entender ou concordar, embora saiba que há sensações específicas que aconteceram e não se repetirão, de forma mais dramática: que eu perdi para sempre.

Lembro desse trecho porque eu quis fazer uma lista com todas as sensações e sentimentos que eu ainda não tinha experimentando e pudesse pensar (tão pretensiosa e empolgada). Essa lista ficou salva nos rascunhos desse blog, desde então, parada no nono item. Eu nunca a excluo, nunca a levo em frente.

Hoje eu lembrei dela, porque acabei a primeira temporada de Grace and Frankie e não sabia dar nome para o que eu estava sentido. E percebi como há sentimentos que eu nem sei nomear, que eu nunca senti, e como eu andei experimentando eles no último ano e de 2016 até aqui.

O 13º e último episódio acaba com Sol chegando em casa encarando que precisa contar a Robert o que fez, enquanto Robert lê os votos que escreveu em voz alta, marcando a primeira vez que eu gostei mais de Robert do que de Sol (que eu lembre.) ao som de música triste e linda. Sol beijou Frankie e traiu Robert, depois de trair Frankie com Robert por tanto tempo. Grace se tornou a personagem mais sensata da série.

Pela primeira vez eu não peguei ranço de um personagem no momento em que ele trai* (Hamilton me iniciou nisso), e enquanto Sol atravessa a frente da casa eu fiquei pensando em como eu tinha ódios e amores tão bem definidos quando tudo começou naquele restaurante, e agora estava tudo muito mais complexo do que isso. É difícil odiar alguém dessa série.
*pensando bem nem daria para ter começado a série?

Enquanto Robert declarava seu amor e Sol fazia a cara triste que ele faz tão bem, e Frankie abraçava Grace com um cobertor em uma caminhada na praia, eu não sabia o que eu estava sentindo. Eu queria um abraço acho, um abraço significativo de alguém que compartilhasse aquilo.  Mas eu não sabia se estava triste, certamente não estava feliz.

E não havia palavras em minha mente para descrever aquilo e entender. E eu precisava conseguir nomear para conseguir entender. e eu queria muito entender o que era aquela sensação no peito, o que eu estava pensando sobre tudo, mas não consegui.A linguagem ainda não é o suficiente para os sentimentos em mim.


faltam fotos de boa qualidade de Grace e Frankie na praia
***

A lista de sensações que nunca senti que estava salva nesse blog tinha os seguintes nove itens:

Conhecer amigos virtuais
Viajar de verdade
Explorar um lugar com alguém especial
Amar profundamente alguém, romanticamente falando 
Sensação de andar de avião
De cantar com uma multidão 
Sentir que está vivendo a vida que sempre quis
Que pode comprar tudo o que quiser 
O gosto da coragem

Fico feliz de perceber que os 4 primeiros podem ser riscados, dependendo como considerarmos alguns. E estou pensando se posso ou não riscar outros. 

Agora eu posso libertá-la dos rascunhos para sempre!


5.6.18

Nosce te ipsum e a busca pelo autoconhecimento

09-05-2018

Olá!

Três anos atrás, eu sentei pela primeira vez em uma sala para fazer terapia. Eventualmente, minha então psicóloga me disse que eu estava ali em busca de me conhecer e isso era muito bom. Três semanas atrás, meu terapeuta disse que eu (e todas as pessoas) preciso buscar me autoconhecer profunda e integralmente. Em paralelo a isso, como não poderia deixar de ser a Dani e eu temos conversado e pensado bastante a respeito.

Nosce te ipsum, expressão em latim para "Conhece-te a ti mesmo", como dizia Sócrates, foi uma das metas de 2018 dela (Dani), e me apaixonei. Agora tenho duas expressões favoritas em latim (a outra é Ic et nunc, "Aqui e agora", se você estiver se perguntado). Coincidência ou não, as duas falam de coisas que tenho buscado através dos anos. Viver o aqui e agora; me conhecer. Também através dos anos minha ansiedade me faz viver cada vez mais no futuro, e as tantas nuances de mim mesma que vou descobrindo nos novos momentos da minha vida me fazem ficar mais confusa quanto a tão temida pergunta "quem sou eu?", e todas as outras seguindo essa linha. 

E nessa busca (nas poucas horas vagas) sobre o autoconhecimento, eu acabei percebendo que não sei o quê ou como fazer para me autoconhecer. Como a gente se conhece? Como eu vou conseguir descobrir, seja lá o que for que eu precise entender, para ME entender? Quem ensina isso para a gente? Ou melhor, por que ninguém ensina isso para a gente?

05-06-2018

Eu esperei e tentei através dos quase trinta dias entre os primeiros parágrafos e esse para descobrir formas que me levassem mais perto do meu conhecimento sobre mim mesma para contar aqui. Alguns dias eu tentei perguntas e aplicativos, outros somente percebi coisas em mim durante acontecimentos cotidianos e achei que aquele era o meio de fazer. 

Agora, percebo, que esse post nunca foi sobre ter uma conclusão de como me conhecer, era apenas um passo nesse caminho que ainda estou a descobrir, apenas uma forma de dizer "ok, posso 'dizer em voz alta', eu realmente quero tentar isso" e ver onde posso chegar.

Acho que, me autoconhecer como mulher, como pessoa, entender os fatores que me trouxeram a esse momento em mim, meus sentimentos, meu meio familiar e social, e olhar com carinho e gentileza para o lugar de onde vim, aquele em que estou, para minhas feridas: abertas, cicatrizadas, ou sangrentas é extremamente importante para entender o meu caminho na minha vida; em termos espirituais, entender o meu caminho no universo, na minha vivência terrena e além dela.

Gosto de pensar que ainda estou seguindo a estrada que aquela Helena de três anos atrás começou. E que cada vez mais estou mais perto de chegar onde eu planejei chegar, embora, às vezes, tudo pareça muito louco.
 - Lena

28.12.17

Tartarugas até lá embaixo


  "Às vezes você lê um livro, às vezes ele lê você." - O diário de Anne Frank

Foram muitos anos sem sentir isso — e na verdade, duvidando —, mas aconteceu esse final de semana. As crises pela realidade se misturaram com as crises pela ficção, o que era Aza com o que era Helena. Tantos anos depois de Will e Will, e Green ainda me encontra quando tudo faz sentido. Quando precisava encontrar. E isso acabou com a véspera de Natal e o Natal em si. Nunca tantas crises em tão pouco tempo, ainda me cansa relembrar. O entendimento foi tão grande que talvez tudo esteja pior do que eu pensei, começando pela minha cabeça. Mas no dia seguinte, não tinha mais certeza de nada, porque não podia ser tudo tão igual, não é? Só que Aza conheceria a sensação de não confiar no próprio cérebro. 

Às vezes tudo acontece, quando a gente nem lembrava mais que poderia acontecer. E, dolorosamente, se percebe que não é bom.

12.11.17

TAG Meus hábitos de escrita


Olá, pessoas!

Daninha, do ConversaCult, me marcou para responder a TAG Meus Hábitos de Escrita, e cá estou eu vivendo a tentativa. A TAG foi feita pela Pam Gonçalves aqui no BR, e é baseada na TAG gringa criada pela Kristen Martin. 

ONDE EU ESCREVO?

Hoje em dia isso é relativo. Já escrevi em vários lugares, meus últimos dois contos e inícios de alguma coisa (só Hygge veio a público deles) eu escrevi no trabalho (na hora do almoço) e no meu quarto. Nunca escrevi em lugares públicos e de algum forma ou outra tudo sempre acaba em casa. Antes de começar a trabalhar eu só conseguia escrever no meu computador de mesa aqui, até hoje ão consigo perder a sensação de que alguma coisa está errada quando escrevo em outro lugar, mesmo que às vezes seja necessário. Mas também, .+desde de que estou com meu notebook não consegui de volta a sensação de que tudo está certo, como tinha antes #dramática

COMO VOCÊ SE ISOLA DO RESTO DO MUNDO ENQUANTO ESTÁ ESCREVENDO?

Ficando sozinha. Não gosto de ficar sendo interrompida quando pego a vibe daquela história e estou empolgada escrevendo. De uns tempos para cá, tem ficado mais difícil me isolar por motivos de celular do lado o tempo todo, mas eu tento, desligando o wifi, escondendo o celular e avisando meu namorado que vou escrever, o que significa, tentar dar uma sumida. Internet é uma grande tentação e me influencia a enrolar muito.

COMO VOCÊ REVISA O QUE ESCREVEU NO DIA ANTERIOR?

Não reviso, não gosto de voltar. Quando não me lembro bem onde parei ou da onde preciso começar para seguir, leio os últimos parágrafos da história. Quando estou há alguns dias sem escrever tento ler tudo que vai me ajudar a lembrar o que eu estava fazendo. Enquanto faço essas leituras tento não revisar nem modificar nada, é mais difícil quando estou há dias afastada e em histórias curtas que parecem fácil mexer aqui e ali. Mas não é uma boa ideia, porque acabo não indo a lugar nenhum e adiantando o processo de edição, sem nem ter concluído o de escrever.

*Gosto de escrever todo dia quando começo, dias afastadas me fazem mudar o olhar ou os sentimentos com pontos da história e isto não costuma ser bom, porque acabo abandonando (quando estou no começo) ou empacada na história. 

QUAL A SUA PRIMEIRA ESCOLHA DE MÚSICA QUANDO NÃO ESTÁ SE SENTINDO INSPIRADA?

Quando estou escrevendo histórias não costumo escrever com música, me atrapalha a pensar. E a música também não é um recurso que busco muito quando estou sem inspiração, não é uma constante. Com alguns projetos eu tenho músicas que de alguma forma me inspiraram, nas letras ou nas melodias, e houveram épocas em que escrevia com som, mas eram músicas que eu apenas gostava ou não me atrapalhavam a pensar, não que eram daquela história ou fontes de inspiração.

O QUE VOCÊ SEMPRE FAZ QUANDO ESTÁ LUTANDO CONTRA O BLOQUEIO DE ESCRITA?

Roubando as palavras da Dana "sofrer" e me sentir uma farsa.

Quando recobro o pensamento racional eu procuro ler os últimos parágrafos ou capítulos que escrevi (em histórias curtas, isso não funciona tão bem, e se você acompanha meu trabalho sabe que tudo escrito nos últimos anos foram histórias curtas.........); Busco opiniões, conversando sobre a história, tentando descobrir onde está o motivo do bloqueio. Me lembro que não preciso pensar muito na primeira etapa, apenas escrever. E tento pensar no que precisa vir a seguir na sequência de acontecimentos da trama. Qual a próxima cena? Como vou chegar a ela? Ou só preciso ir direto para ela sem preâmbulos? Às vezes me bloqueio pensando que não sei como continuar uma cena, sem perceber que não tem nada mais pra fazer ali, não preciso continuá-la, e a próxima cena não precisa ter um gancho nesta atual. Só preciso ir. Isso faz sentido?

Por exemplo: Protagonista está na festa com a crush. O que precisava acontecer nesta festa já aconteceu e são 22 horas da noite, mas elas não irão embora ainda. E o próximo passo que a história precisa dar é o almoço em família do dia seguinte. Fico bloqueada tentando "acabar" a cena da festa e levar minha protagonista para o almoço de uma forma sequencial, quando eu só preciso começar outro capitulo no dia seguinte na hora do almoço. Porque não há nada mais entre as 22 horas do sábado e às 11 horas do domingo que precise ser contado. Ou detalhado, por exemplo, o fato dela ter ido dormir muito tarde pode ser mostrado pelas olheiras e os bocejos durante o almoço, não preciso acompanhar a personagem indo para cama de madrugada tomando cuidado para não acordar ninguém.

QUAIS FERRAMENTAS VOCÊ USA ENQUANTO ESCREVE?

Word ou o Google Drive para escrever, o próprio Google para pesquisas, papel e caneta para me orientar porque as vezes preciso rabiscar as coisas com minhas próprias mãos para entender. E costumo conversar sozinha fazendo isso.

Em algumas histórias uso tudo isso, em outras só um ou outro. Depende muito. Nunca escrevi nada completo a mão, às vezes começo por falta de computador e porque não me dou muito bem no celular — embora use o celular na falta de papel e caneta, ou por que eu nunca sei o que vou querer.

Ainda estranho a aparência do Docs do Google quando estou escrevendo, e isso me atrapalha. Faz eu sentir que o que está sendo escrito não está bom, ou me impede de continuar, se for ali. Sou doida assim.

QUAL A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PODE VIVER SEM DURANTE A ESCRITA?

Eu acho que não existe algo que não dê para viver sem enquanto escrevo. Só o próprio arquivo, mas nem é em todo o caso.

Posso escrever sem internet para alguma pesquisa, na verdade, o ideal seria não fazer pesquisas porque eu sei que isso só me faz demorar;
Posso escrever sem papel e caneta por perto;
Posso ficar até sem comida, neste momento mesmo, estou com sede porque estou sentada aqui há algum tempo, mas ainda escrevo;
E até posso ficar sem o próprio arquivo, se eu lembrar bem onde parei, ou não empacar sem alguma informação antiga.

Isto tudo enquanto estou escrevendo, não editando. Editando eu vou precisar das 30 versões do arquivo que criei, de papel e caneta, da minha lista de passos (AMÉM TO DO LIST), etc etc.

COMO VOCÊ SE ABASTECE/SE ALIMENTA DURANTE UMA SESSÃO DE ESCRITA?

Muita água, porque meu Deus eu sinto muita sede. E muita comida, porque meu Deus eu como muito. Não tenho uma alimentação especifica para as sessões de escrita, algumas vezes posso até não me alimentar, se for uma sessão pequena. E quando me alimento depende do que tenho a disposição, da hora, de vontades sem sentido.

COMO VOCÊ SABE QUANDO TERMINOU DE ESCREVER?

No primeiro rascunho: quando eu não acho que precise dizer mais, e a tentativa é só uma enrolação. Algumas vezes sei de antemão como a história acaba, algumas não, e algumas acho que sei. Mas no fim, sabendo ou não que seria aquela cena a final, é só o sentimento e/ou o pensamento racional de que não há mais o que ser dito que faça diferença. 

Na edição é quase a mesma coisa, e quando concluo a última leitura de revisão (depois de ter mudado tudo que precisava, e só estou vendo se tá mesmo certo) e não aguento mais mexer naquela história.

Se for a cada dia, como a Dana mencionou, é quando acabo o que tinha "planejado" ou queria muito escrever aquele dia, e quando o cansaço ou a falta de inspiração me vencer. O que acontecer primeiro. Ah, ou quando algo externo me atrapalha ou eu me deixo distrair.

***

É isso, espero que tenham gostado e meu sono não tenha atrapalhado (muito) a qualidade, vou deixar em aberto pra quem quiser responder, e marcarei especificamente minhas amigas da Tertúlia (Giu, Dani, Gih, Tati e Isa, se ela voltar a escrever) e o Felipe do Não Sei Lidar

31.8.17

Um poema estranho

Dói tudo.

Dentro e fora.
Fora e dentro.

As pernas
de tanto
andar
pra lugar
nenhum.

As costas
às vezes 
o mundo
pesa demais.

Os braços
de nadar
pra morrer
na praia.

Os pulmões
por tentar
respirar
depois dos socos
na barriga
que a sua indiferença
me dá.

E os olhos
em ver
seu desamor.

E o corpo todo
toda vez
que me toca.

E toda vez
Que não toca.

- um poema estranho que achei em meus rascunhos