21.2.19

Rosquinhas #4




17/02 à 20/02


  • fazer tapete de retalhos
  • conseguir costuras
  • descolorir a penas
  • empolgar com outros projetos
  • conseguir realizar a maioria dos planos desse fim de semana
  • a Isa
  • a Tati
  • a Giu
  • a Dani
  • agitar as amigas 
  • concluir minha carta
  • fazer planos e ter ideias pra mudança
  • torta no almoço
  • pamonha
  • cochilar no ônibus
  • "ganhar" um salgado
  • os elogios do J a minha inteligência
  • omelete de forno
  • ganhar um bolinho
  • o que o I disse sobre a pessoa que sou
  • o elogio a minha energia
  • crochê
  • ecobag
  • a camisa antiga da minha avó
  • a minha mãe sendo fofa
  • dicas sobre os paletes
  • doce que a mãe fez 
  • perceber minha evolução nesse tempo todo de cartório 
  • e me perceber inteligente e confiante
  • ir com meus amigos na aula
  • conversar com antigos amigos da escola e a sensação de costume e tranquilidade

13.2.19

Rosquinhas #2



10/02 à 12/02

  • por conversar com o G.
  • a maionese do almoço do aniversário.
  • a conversa com meus primos.
  • aquele momento de descontração entre família que eu não sentia há muito tempo com eles.
  • o bom humor do R.
  • a mensagem de saudade do I.
  • a foto com a S. que me fez querer voltar pra sexta-feira e viver tudo de novo.
  • o top que eu comprei.
  • por escrever a carta dos 21
  • os planos com a T. que eu espero realizar.
  • ver as unhas cortadas e limpinhas.
  • as conversas com minhas tias.
  • por tentar enxergar as pessoas para além do que foi deduzido, dito, ou imaginado.
  • estar feliz, querendo fazer coisas
  • ter passado
  • a felicidade da minha mãe
  • a felicidade em mim, pura e simples
  • meus pais
  • a soneca no carro
  • ficar bem na foto 3x4 
  • o ar condicionado da biblioteca
  • a gentileza e pureza da J
  • ganhar um lanchinho com suco que estava sensacional
  • pela soneca no ônibus, fazia tanto tempo
  • por ter derramado uma meia dúzia de lágrimas que levou parte da angústia embora
  • a chuva
  • a ter deixado o guarda chuva no serviço
  • pela blusa de frio emprestada
  • por conseguir prestar atenção em quase toda a aula
  • as fotos da gatinha
  • o omelete de forno que minha mãe deixou e eu não estava esperando de jeito nenhum
  • o bolo de banana
  • os planos com meus amigos
  • o cheiro do G. exatamente o mesmo de sempre
  • minha família
  • a moeda na minha cadeira. 
  • os elogios aos meus poemas.

8.2.19

Rosquinhas #1

Oi, você aí!

Hoje (06) eu estou cheia de ideias, de coisas que eu quero fazer, realizar, trabalhar na minha vida. Eu amo essa sensação, o misto de vontade, esperança e possibilidade. Uma dessas ideias eu tive durante meu horário de almoço, eu planejava escrever coisas pelas quais eu estava grata e feliz, por vários motivos:
  • eu estive triste na ultima semana;
  • com sentimentos conflitantes nos últimos dias;
  • quero atrair melhores energias;
  • quero conseguir por mais em perspectiva as coisas boas que estão comigo mesmo nos dias em que eu não estou me sentindo tão bem quanto poderia;
  • e aceitar e aproveitar as rosquinhas da vidas, apesar de qualquer coisa.
O que me levou a pensar que sempre quero fazer isso, começo mas paro, ou porque esqueço, ou porque cansa manter um aplicativo, ou um registro, no entanto ainda queria escrever pra pensar melhor sobre. Ainda queria colocar isso em um lugar onde eu pudesse reencontrar, e eis que lembrei do Luft. Porque não, sabe? Então já que não tem um motivo para não ser, que seja.

É isso, não há promessas de constância ou frequência, só há. É o que eu tenho tentando manter em mente, há e isso é o suficiente, não precisa ser para sempre, só precisa ser bom. Assim nasce a coluna Rosquinhas!


06-02 à 09/02
  • ver minha mãe feliz com as coisas que ela viu no celular, por saber que eu ajudei ela nisso
  • comprar frutas
  • o dia calmo no serviço
  • meus amigos
  • por estar animada e com ideias
  • o bom dia da Dani
  • por estar com esperança e saber que estou caminhando para me melhorar 
  • pelo meu celular ter dado sinal para eu conseguir receber aquela ligação
  • as coisas do canva
  • a entrevista
  • por ninguém ter percebido a mancha na roupa
  • a biblioteca municipal
  • os post antigos do meu blog
  • a mensagem de eu te amo da minha mãe
  • a minha psicóloga, aquele anjo
  • o sentimento de que vai dar certo
  • a fé no meu caminho 
  • por gostar de poemas que escrevi lá atrás
  • pastel com garapa
  • sair com meus amigos
  • acertar na escolha dos drinks
  • inovar no look, mesmo que bem pouco
  • almoço vegetariano
  • dormir no ônibus
  • vir no banco sozinha
  • achar tecido parecido com o que queria pra customização e não ser caro
  • experimentar roupas e me sentir bonitas nelas
  • gostar do meu corpo no provador
  • amizade da S. e do J.
  • relativo bom humor do R
  • conversas com minha mãe
  • perceber os pequenos apoios da minha família
  • riscar itens na lista dos 21 e dos 101
  • rolês que consegui "organizar essa semana" 
  • conhecer gente nova

26.12.18

Um ano que eu não vou saber resumir

... não que eu saiba resumir algo.

Como todos os anos 2018 passou muito rápido para mim, mas ao mesmo tempo quando eu lembro das coisas que aconteceram antes de julho parecem outra vida. Ainda vou acabar escrevendo algo sobre a nossa percepção do tempo e a loucura de tudo isso, mas uma outra hora.

2018 também foi um ano merda de forma coletiva, e sei que todos os meus amigos sentem isso, mas outra coisa que senti e percebi que, principalmente, minhas amigas estavam sentindo é que pessoalmente e individualmente também foi um ano que nos trouxe boas realizações (na maioria internas e pequenas) e crescimento, aprendizado e um pouco da percepção das coisas pelas quais devemos ser gratas.

Resumir 2018 em uma palavra ou frase parece muito difícil, e não acho que me esforçarei em tentar porque não é preciso. 2018 foi difícil, deu medo do agora e do futuro, foi cheio de incerteza, insegurança e decisões que nem sabia se estava preparada para tomar, confusão, frustração e estresse. 

Mas também foi cheio de amigos, de carinho e de vida. De crescimento e um pouco de coragem, de redescobrir e relembrar verdades esquecidas. De terapia, e um pouquinho de espiritualidade. De sentir um tiquinho o gosto da liberdade, de precisar olhar para confusão mental e arregaçar as mangas para lidar com a ansiedade que consome. 

No Natal eu acordei com duas cartinhas muito especiais de pessoas muito queridas no meu email, que me fizeram lembrar de muitos sentimentos bons e querer escrever isto aqui, que me fizeram pensar que tá tudo bem, nós estamos aqui. É difícil aceitar as rosquinhas da vida, a vulnerabilidade necessária, os riscos de sair da caverna, mas eu sei e gosto de continuar acreditando que valerá a pena, que nós vamos ficar bem, ser feliz, dar certo como pessoa e todas essas frases cafonas que eu AMO/SOU. 

Continuemos.

21.12.18

Eu não sou uma pessoa que corre
Eu ando

Normalmente,
eu
ando

Só que
em alguns dias
eu corro

Mesmo sem fôlego
eu corro

Mesmo pesando
eu corro

Porque não tenho fôlego
eu corro

Porque está pesado
eu corro

Para tentar achar ar
Para ficar mais leve
Eu corro

Hoje eu corri



20.12.18

Meu peito não consegue inspirar todo o ar que preciso.
Meus braços são curtos demais para abraçar o mundo que quero.
Meus passos muito pequenos para chegar tão rápido.

O tempo não é o suficiente.

- Angústia

9.12.18

Quando bate aquela saudade

Maria a tinha visto um ano atrás, também no sete de setembro.
Não por acaso insistiu com a família para alugarem com os tios a mesma casa de praia para o feriado deste ano. Ninguém sabia que um ano antes naquela noite que Maria voltou de manhãzinha antes de qualquer um acordar estava com a garota dona da casa vizinha. Não sabiam que elas tinham dormido na praia, perto das pedras altas e escuras do lado sul, porque estavam cansadas demais para se darem conta que estavam caindo no sono sobre um cobertor na areia depois de terem andado tanto e beijado tanto. Ninguém sabia de nada sobre aquele sábado perfeito antes de tudo acabar num domingo cinzento. Então não houveram desconfianças de seus motivos. 
E a própria Maria tentava não pensar que muito dos seus motivos giravam ao redor de uma mesma garota de olhos grandes e pretos. Ocupava-se com os outros, que não tinham a ver com ela: A praia com poucas pessoas; a sorveteria há alguns quarteirões de distâncias com o melhor milkshake de café com creme de avelã que ela já havia provado; as conversas com o primo Otávio que adorava tanto, mas via tão pouco; o café da manhã na mesa grande compartilhado com toda a família; as caminhadas com a mãe e a tia ao pôr do sol. 
No entanto, quando o carro parou em frente à casa e sua irmã mais nova saiu correndo, carregando a pelúcia de robô que havia ganhado no último aniversário, Maria não conseguiu evitar olhar para os vizinhos, perscrutar a entrada em busca de indícios da presença dela, mas não havia qualquer sinal de que haviam pessoas lá, de que ela estava lá. 
Percebeu que o feriado poderia se transformar em longos dias angustiantes na dúvida crescente se ela estaria ali, se a veria, como estaria...? Ainda teria os cabelos no ombro? Ainda poderia segurar sua mão? Entregar todos os beijos que passou o último ano querendo entregar? Ainda pegaria no sono cansada e acordaria outra vez ao seu lado, sem saber bem como aquilo havia acontecido? Encontraria seus olhos e pensaria que amava aquela garota que mal conhecia, e diria em voz alta sem pensar, mesmo sabendo que não poderia amar alguém assim tão rápido? 
Percebeu que estava com saudades de tudo e, enquanto puxava sua mala do porta malas cheio, desejou baixinho que houvesse uma segunda vez para elas.
 ***
Maria havia ficado sozinha na praia depois de Otávio ir tentar a sorte em conseguir alguma bebida da cozinha sem que seus pais vissem, com sorte o champanhe. Mas já fazia um tempo desde que ele havia subido e não voltara ainda. O sol havia se posto agora e a escuridão começava lenta e gradativamente a encobrir tudo. 
Maria não estava preocupada, no entanto, o dia havia sido longo e praticamente perfeito com seu primo na praia. Quase não pensou em sua vizinha, quase porque ela acabava aparecendo no fundo de sua mente quando menos esperava por conta de um sorriso, uma piada, um canto específico da praia.
Maria deixou a cabeça cair para trás até recostar na cadeira e ficou encarando o céu esperando as primeiras estrelas. 
Ela ouviu Otávio se aproximando e o barulho do seu corpo ao sentar-se ao seu lado.
— Conseguiu o champanhe? — um sorriso veio automaticamente, e sentiu que isso também pedia um pouco de esforço, estava mais cansada que imaginou.
Não houve respostas, mas uma risadinha veio logo. Maria voltou sua cabeça ao normal antes de conseguir ver a primeira estrela. Era ela ao seu lado, os olhos pretos pareciam ainda maiores e mais profundos, seus lábios desenhavam um sorriso sereno e Maria quis beijá-la, sem dizer nada antes, sem perguntar coisa alguma, sem acabar de absorver sua presença primeiro. O cansaço sumiu de seu corpo como se nunca houvesse estado.
— Oi! — Seus olhos estavam fixos em Maria como os de Maria nela. 
— Oi — se obrigou a dizer e tentou em vão parar de encará-la.
Maria olhou com mais cuidado agora, ela estava diferente do que se lembrava, os detalhes haviam sumido da sua mente nesse intervalo de um ano, percebeu. A pinta na bochecha, o espaço entre os dentes... havia se esquecido. O cabelo, no entanto, continuava o mesmo, em ondas caindo até os ombros. Sua pele estava queimada de sol, e as bochechas pareciam começar a descascar, mas na pouca luz era difícil ter certeza. 
— Quer mergulhar? 
— Claro— não precisou pensar para responder.
Maria tentou não encarar enquanto sua companhia tirava a blusa na cadeira ao lado, depois correram para o mar. O vento bagunçava os cabelos de Maria e isso a fazia rir. 
Depois, quando se beijaram na água seus lábios estavam salgados. Ia tudo dar errado, mas Maria não se importou com isso e sabia que para ela também não importava. A beijou outra vez, era só isso que importava agora. 

-Helena Guimarães
***