8.2.19

Rosquinhas #1

Oi, você aí!

Hoje (06) eu estou cheia de ideias, de coisas que eu quero fazer, realizar, trabalhar na minha vida. Eu amo essa sensação, o misto de vontade, esperança e possibilidade. Uma dessas ideias eu tive durante meu horário de almoço, eu planejava escrever coisas pelas quais eu estava grata e feliz, por vários motivos:
  • eu estive triste na ultima semana;
  • com sentimentos conflitantes nos últimos dias;
  • quero atrair melhores energias;
  • quero conseguir por mais em perspectiva as coisas boas que estão comigo mesmo nos dias em que eu não estou me sentindo tão bem quanto poderia;
  • e aceitar e aproveitar as rosquinhas da vidas, apesar de qualquer coisa.
O que me levou a pensar que sempre quero fazer isso, começo mas paro, ou porque esqueço, ou porque cansa manter um aplicativo, ou um registro, no entanto ainda queria escrever pra pensar melhor sobre. Ainda queria colocar isso em um lugar onde eu pudesse reencontrar, e eis que lembrei do Luft. Porque não, sabe? Então já que não tem um motivo para não ser, que seja.

É isso, não há promessas de constância ou frequência, só há. É o que eu tenho tentando manter em mente, há e isso é o suficiente, não precisa ser para sempre, só precisa ser bom. Assim nasce a coluna Rosquinhas!


06-02 à 09/02
  • ver minha mãe feliz com as coisas que ela viu no celular, por saber que eu ajudei ela nisso
  • comprar frutas
  • o dia calmo no serviço
  • meus amigos
  • por estar animada e com ideias
  • o bom dia da Dani
  • por estar com esperança e saber que estou caminhando para me melhorar 
  • pelo meu celular ter dado sinal para eu conseguir receber aquela ligação
  • as coisas do canva
  • a entrevista
  • por ninguém ter percebido a mancha na roupa
  • a biblioteca municipal
  • os post antigos do meu blog
  • a mensagem de eu te amo da minha mãe
  • a minha psicóloga, aquele anjo
  • o sentimento de que vai dar certo
  • a fé no meu caminho 
  • por gostar de poemas que escrevi lá atrás
  • pastel com garapa
  • sair com meus amigos
  • acertar na escolha dos drinks
  • inovar no look, mesmo que bem pouco
  • almoço vegetariano
  • dormir no ônibus
  • vir no banco sozinha
  • achar tecido parecido com o que queria pra customização e não ser caro
  • experimentar roupas e me sentir bonitas nelas
  • gostar do meu corpo no provador
  • amizade da S. e do J.
  • relativo bom humor do R
  • conversas com minha mãe
  • perceber os pequenos apoios da minha família
  • riscar itens na lista dos 21 e dos 101
  • rolês que consegui "organizar essa semana" 
  • conhecer gente nova

26.12.18

Um ano que eu não vou saber resumir

... não que eu saiba resumir algo.

Como todos os anos 2018 passou muito rápido para mim, mas ao mesmo tempo quando eu lembro das coisas que aconteceram antes de julho parecem outra vida. Ainda vou acabar escrevendo algo sobre a nossa percepção do tempo e a loucura de tudo isso, mas uma outra hora.

2018 também foi um ano merda de forma coletiva, e sei que todos os meus amigos sentem isso, mas outra coisa que senti e percebi que, principalmente, minhas amigas estavam sentindo é que pessoalmente e individualmente também foi um ano que nos trouxe boas realizações (na maioria internas e pequenas) e crescimento, aprendizado e um pouco da percepção das coisas pelas quais devemos ser gratas.

Resumir 2018 em uma palavra ou frase parece muito difícil, e não acho que me esforçarei em tentar porque não é preciso. 2018 foi difícil, deu medo do agora e do futuro, foi cheio de incerteza, insegurança e decisões que nem sabia se estava preparada para tomar, confusão, frustração e estresse. 

Mas também foi cheio de amigos, de carinho e de vida. De crescimento e um pouco de coragem, de redescobrir e relembrar verdades esquecidas. De terapia, e um pouquinho de espiritualidade. De sentir um tiquinho o gosto da liberdade, de precisar olhar para confusão mental e arregaçar as mangas para lidar com a ansiedade que consome. 

No Natal eu acordei com duas cartinhas muito especiais de pessoas muito queridas no meu email, que me fizeram lembrar de muitos sentimentos bons e querer escrever isto aqui, que me fizeram pensar que tá tudo bem, nós estamos aqui. É difícil aceitar as rosquinhas da vida, a vulnerabilidade necessária, os riscos de sair da caverna, mas eu sei e gosto de continuar acreditando que valerá a pena, que nós vamos ficar bem, ser feliz, dar certo como pessoa e todas essas frases cafonas que eu AMO/SOU. 

Continuemos.

21.12.18

Eu não sou uma pessoa que corre
Eu ando

Normalmente,
eu
ando

Só que
em alguns dias
eu corro

Mesmo sem fôlego
eu corro

Mesmo pesando
eu corro

Porque não tenho fôlego
eu corro

Porque está pesado
eu corro

Para tentar achar ar
Para ficar mais leve
Eu corro

Hoje eu corri



20.12.18

Meu peito não consegue inspirar todo o ar que preciso.
Meus braços são curtos demais para abraçar o mundo que quero.
Meus passos muito pequenos para chegar tão rápido.

O tempo não é o suficiente.

- Angústia

9.12.18

Quando bate aquela saudade

Maria a tinha visto um ano atrás, também no sete de setembro.
Não por acaso insistiu com a família para alugarem com os tios a mesma casa de praia para o feriado deste ano. Ninguém sabia que um ano antes naquela noite que Maria voltou de manhãzinha antes de qualquer um acordar estava com a garota dona da casa vizinha. Não sabiam que elas tinham dormido na praia, perto das pedras altas e escuras do lado sul, porque estavam cansadas demais para se darem conta que estavam caindo no sono sobre um cobertor na areia depois de terem andado tanto e beijado tanto. Ninguém sabia de nada sobre aquele sábado perfeito antes de tudo acabar num domingo cinzento. Então não houveram desconfianças de seus motivos. 
E a própria Maria tentava não pensar que muito dos seus motivos giravam ao redor de uma mesma garota de olhos grandes e pretos. Ocupava-se com os outros, que não tinham a ver com ela: A praia com poucas pessoas; a sorveteria há alguns quarteirões de distâncias com o melhor milkshake de café com creme de avelã que ela já havia provado; as conversas com o primo Otávio que adorava tanto, mas via tão pouco; o café da manhã na mesa grande compartilhado com toda a família; as caminhadas com a mãe e a tia ao pôr do sol. 
No entanto, quando o carro parou em frente à casa e sua irmã mais nova saiu correndo, carregando a pelúcia de robô que havia ganhado no último aniversário, Maria não conseguiu evitar olhar para os vizinhos, perscrutar a entrada em busca de indícios da presença dela, mas não havia qualquer sinal de que haviam pessoas lá, de que ela estava lá. 
Percebeu que o feriado poderia se transformar em longos dias angustiantes na dúvida crescente se ela estaria ali, se a veria, como estaria...? Ainda teria os cabelos no ombro? Ainda poderia segurar sua mão? Entregar todos os beijos que passou o último ano querendo entregar? Ainda pegaria no sono cansada e acordaria outra vez ao seu lado, sem saber bem como aquilo havia acontecido? Encontraria seus olhos e pensaria que amava aquela garota que mal conhecia, e diria em voz alta sem pensar, mesmo sabendo que não poderia amar alguém assim tão rápido? 
Percebeu que estava com saudades de tudo e, enquanto puxava sua mala do porta malas cheio, desejou baixinho que houvesse uma segunda vez para elas.
 ***
Maria havia ficado sozinha na praia depois de Otávio ir tentar a sorte em conseguir alguma bebida da cozinha sem que seus pais vissem, com sorte o champanhe. Mas já fazia um tempo desde que ele havia subido e não voltara ainda. O sol havia se posto agora e a escuridão começava lenta e gradativamente a encobrir tudo. 
Maria não estava preocupada, no entanto, o dia havia sido longo e praticamente perfeito com seu primo na praia. Quase não pensou em sua vizinha, quase porque ela acabava aparecendo no fundo de sua mente quando menos esperava por conta de um sorriso, uma piada, um canto específico da praia.
Maria deixou a cabeça cair para trás até recostar na cadeira e ficou encarando o céu esperando as primeiras estrelas. 
Ela ouviu Otávio se aproximando e o barulho do seu corpo ao sentar-se ao seu lado.
— Conseguiu o champanhe? — um sorriso veio automaticamente, e sentiu que isso também pedia um pouco de esforço, estava mais cansada que imaginou.
Não houve respostas, mas uma risadinha veio logo. Maria voltou sua cabeça ao normal antes de conseguir ver a primeira estrela. Era ela ao seu lado, os olhos pretos pareciam ainda maiores e mais profundos, seus lábios desenhavam um sorriso sereno e Maria quis beijá-la, sem dizer nada antes, sem perguntar coisa alguma, sem acabar de absorver sua presença primeiro. O cansaço sumiu de seu corpo como se nunca houvesse estado.
— Oi! — Seus olhos estavam fixos em Maria como os de Maria nela. 
— Oi — se obrigou a dizer e tentou em vão parar de encará-la.
Maria olhou com mais cuidado agora, ela estava diferente do que se lembrava, os detalhes haviam sumido da sua mente nesse intervalo de um ano, percebeu. A pinta na bochecha, o espaço entre os dentes... havia se esquecido. O cabelo, no entanto, continuava o mesmo, em ondas caindo até os ombros. Sua pele estava queimada de sol, e as bochechas pareciam começar a descascar, mas na pouca luz era difícil ter certeza. 
— Quer mergulhar? 
— Claro— não precisou pensar para responder.
Maria tentou não encarar enquanto sua companhia tirava a blusa na cadeira ao lado, depois correram para o mar. O vento bagunçava os cabelos de Maria e isso a fazia rir. 
Depois, quando se beijaram na água seus lábios estavam salgados. Ia tudo dar errado, mas Maria não se importou com isso e sabia que para ela também não importava. A beijou outra vez, era só isso que importava agora. 

-Helena Guimarães
***


27.10.18

Uma carta para a antiga Helena, depois de terminar a 101/1001

24 de outubro de 2018

Querida eu do passado,

Hoje eu li a sua carta + comentários sobre a 101/1001, um dia depois de acabar o prazo para ela. Talvez atrasada, porque muita coisa mudou no tempo que você tinha para o que eu tenho agora. Muita coisa mudou em tudo.

Eu estou concluindo um processo de coração partido e quando você me escreveu em maio de 2016 você estava confusa sobre o fato de não se apaixonar por alguém em muito tempo. Você se apaixonou, você amou e agora até já acabou. É estranho não, é? Para mim isso parece tão longe no passado, eu nem me lembrava. E também me lembrei que você nem mesmo queria namorar nessa época, eu me lembro bem disso. Você só queria se apaixonar para saber que nada estava errado. Nós continuamos com esses sentimentos que não fazem sentido.

Agora eu sei que a 101 não funciona para gente (você já até devia saber), é muita coisa e muito tempo e isso sai de foco e depois as conquistas não parecem mais tão importantes... No entanto, ler ela hoje me fez perceber como eu me acomodo. Como eu me acomodei depois de um tempo trabalhando na 101 e foi ficando cada vez mais espaçadas as conquistas de cada item. E não por causa de, mas porque sempre acabamos nisso. Continuamos péssimas para fazer metas, mas acho que está na hora de começarmos; a fazer metas reais, a listá-las em um papel e as manter em mente e simplesmente fazer, FAZER COISAS. Você disse tanto isso, esse sentimento sumiu um pouco de mim... Obrigada por trazer isso e tantas outras coisas de volta a minha mente.

Antes de ler a carta eu estava vendo o nosso Instagram e algumas das fotos da época em que você fez e escreveu isso. Tudo parece tão diferente, mas eu ainda te sinto aqui dentro, pulsando em alguns momentos. Olhar o feed me fez reforçar o que eu estava pensando antes, você era muito boa em ser sua melhor companhia e você trabalhou para isso, e eu ainda sou assim, eu só precisava me lembrar melhor.

O que eu acho que quero dizer com tudo isso é que nós permitimos ao novo, como você pediu. Nós fizemos bastante coisas, fizemos coisas que nem estavam na lista, como mudar totalmente o cabelo. Nós trabalhamos num lugar que você não imaginava, tivemos muitos momentos. Mas continuamos também a mesma pessoa que se foca no que deu errado tão mais facilmente, ou pensa em coisas que queria muito não pensar, e em coisas que nem são verdadeiras. E precisamos/preciso quebrar esse vício em achar que antes estava vivendo mais e fazendo mais, porque eu tenho certeza que você acharia que eu estou melhor, ou que uma eu do passado estava, enquanto eu não acho que estou melhor.

Só que eu também sei o quanto é difícil quebrar padrões de pensamentos, eu sempre volto a isso e nunca termino. Espero continuar tentando até vencer nem que seja pelo simples cansaço.Eu espero que a próxima futura eu esteja orgulhosa de mim, como eu fiquei de você; eu gostaria muito de sentar com você no recreio, eu sei disso. E vou te usar como um guia, se preciso for.

Quanto aos itens, nós completamos 59 itens, alguns não foram feitos, outros parados na tentativa. Foi muito bom passar o fim do meu almoço lendo e tentando apenas focar nas coisas boas. Está chovendo hoje, o calor deu uma pequena trégua, e estou ouvindo Jazz! As coisas estão diferentes, eu acho que você ficaria feliz, ou pelo menos seria compreensiva sobre tudo.

Você merecia o mundo.

Nós merecemos o mundo.
Com carinho, 
Helena do futuro hahah

27 de outubro de 2018

Querida Helena de 17 anos,

voltei, descobri mais coisas a dizer para você. 

Ontem a noite eu cheguei da faculdade me sentindo triste (não pelos mesmo motivos que você se sentia), por causa do mundo. E de tudo que está acontecendo que enche nosso coração de medo. E eu não queria dormir, você sabe de qual sensação estou falando, não queria dormir triste. Então, eu abri nosso pote de moedas para contá-las. E o tempo todo fiquei conversando com a Dani a Tati e a Gih, (eu sei que você está feliz em saber que continuamos juntas no SA, eu também estou!). 

E foi bom, a tristeza não foi toda embora porque... como a gente ignora o mundo?, mas ela ficou no fundo e teve que ser o suficiente; eu estive pensando que foi muito bom sua carta, o fim do pote e da lista me encontrarem agora. Me faz acreditar em coisas maiores no universo e no tempo certo das coisas. E eu queria te agradecer, por ter começado a 101, por ter feito junto com a Dani, por ter começado um pote de moedas e me deixado um bilhete dentro dele (eu sabia que ele estava lá o tempo todo, eu nunca me esqueci). Eu fiquei muito feliz em abrir esse pote, em ter tantas moedas, foi muito gostoso. Como você já sabia, ainda não sabemos o que fazer com o dinheiro das moedas. E eu me sinto apegada a elas, para te ser sincera. Me sinto apegada a tudo que isso significa, mas eu gosto desses sentimentos, de tudo que eles me fazem lembrar, de quem nós somos. 

Eu quero continuar com esse pote, vou acabar me aventurando em outra lista doida, nada mudou! Eu espero que tudo fique bem até a próxima Helena me encontrar em uma carta (sei que estou dizendo isso mais para mim do que para você).

Continuando a linha de totalmente sincera, também foi estranho abrir o pote e ficar pensando frases como "as moedas que guardamos quando a gente não sabia que haveria medo em nossos corações quando as pegássemos de volta", às vezes o mundo pesa demais. 

Bom você vai gostar de saber que havia 101 reais no pote (tirando as 5 moedas comemorativas que não vamos nos desfazer, por motivos). 101 reais do pote da lista de 101 coisas. 101 reais redondo, mesmo se tratando de moedas! 

Acho que agora foi tudo que eu queria te contar, e nem vou me importar que essas cartas parecem só um monte de parágrafos soltos, obrigada por ter feito tantas coisas, obrigada por me encontrar agora, obrigada pelo bilhete com o "lema" da Cinderela e o dos Nerdfighters. Eu te amo!

Helena de 19 anos.

7.9.18

Uma conversa, um poema

eu você
você eu
não e,
talvez é

teus olhos
me vêem
como eu
me vejo

e como
às vezes
não vejo
mais

mas gostaria
de me
ver
pelos teus olhos

é tarde
há palavras
que precisam
sair

para, talvez
encontrar um peito
que saiba
como é

não saber

coisas que
não temos
certeza se
deviam ser ditas

mas que
precisavam
ser ouvidas

compartilhadas
numa procura
por não sei o quê

talvez eu
talvez você
eu você
você eu
- helena