4.3.19

Rosquinhas #6

Eu me perdi nessa última semana que agora estou triste comigo mesma, porque sei que houveram rosquinhas que não vou ser capaz de lembrar, mas tentativa é o que há.

25/02 á 04/03
  • nozinho frito
  • desabafar
  • mãe
  • sorvete
  • acabar saquinho
  • dia tranquilo
  • dormir
  • sentir que a moça da entrevista gostou de mim
  • ficar tranquila na entrevista
  • escrever um poema novo
  • perdoar
  • comidas da minha mãe
  • sorvete de petit gateau
  • ver minha mãe me tratando com mais indepêndencia
  • não me preocupar se me deixariam ir na festa
  • meus amigo todos indo pro carnaval
  • o carnaval
  • pular igual doida no show do aoki
  • ver o I depois de dias
  • conhecer a gatinha
  • me arrumar pro carnaval
  • me encher de brilho
  • emprestar minhas roupas
  • conhecer a Carretel
  • conversar e tirar magoas do peito com o I
  • perfume
  • o abraço
  • o cochilo
  • viver experiências
  • não ficar ansiosa
  • não ter conseguido ir embora 
  • dormir por 13 horas
  • fazer planos de coisas para loja da tia
  • deitar no cobertor do parque e conversar olhando as folhas da árvore contra o céu
  • ter de volta a sensação de muita coisa para falar com o I
  • ganhar os retalhos e roupas
  • minha pantacourt
  • lavar meu tênis pós oba
  • o poema sobre o amor e ondas que escrevi
  • riscar itens da 101
  • o céu enquanto amanhecia e eu estava no Oba
  • confiar nas pessoas
  • dar tudo certo
  • voltar para casa
  • o por do sol
  • olhar o céu clarear e ver o por do sol no mesmo dia
  • pochete
  • comprar agulhas novas
  • minha psicologa
  • marcar para minha mãe
  • ver minha relação com minha mãe crescendo e melhor

24.2.19

Rosquinhas #5

21/02 à 24/02

  • a blusa da vó
  • ganhar o ingresso
  • comentário no poema
  • ganhar chocolate
  • pegar as roupas da customização
  • a Taiany
  • ganhar salgadinhos
  • as calças novas
  • usá-las tranquilamente
  • a pantacourt
  • conversar com o G
  • a psicologa
  • ouvir que sou muito bonita e devia fazer um book
  • ouvir que deixei as pessoas confortáveis para brincarem comigo
  • conversar e resolver as coisas
  • sentir que estou estudando
  • mesa com bancos de madeira
  • a boa noite de sono
  • ganhar meio cappuccino com baunilha
  • música na rodovia e cantar
  • amigos antigos
  • terminar o saquinho de crochê
  • querer e estar animada para fazer trabalhos artesanais
  • experimentar o lanche vegetariano do BK
  • dormir por 11 horas
  • cozinhar com minha mãe
  • o macarrão ao alho que fizemos
  • e o omelete de forno
  • concluir a prova de treino pro exame
  • visitar minha tia
  • manter a paz mesmo quando minha mãe ficou pistola comigo por nada
  • fazer crochê
  • a identificação com a Dani

21.2.19

Rosquinhas #4




17/02 à 20/02


  • fazer tapete de retalhos
  • conseguir costuras
  • descolorir a penas
  • empolgar com outros projetos
  • conseguir realizar a maioria dos planos desse fim de semana
  • a Isa
  • a Tati
  • a Giu
  • a Dani
  • agitar as amigas 
  • concluir minha carta
  • fazer planos e ter ideias pra mudança
  • torta no almoço
  • pamonha
  • cochilar no ônibus
  • "ganhar" um salgado
  • os elogios do J a minha inteligência
  • omelete de forno
  • ganhar um bolinho
  • o que o I disse sobre a pessoa que sou
  • o elogio a minha energia
  • crochê
  • ecobag
  • a camisa antiga da minha avó
  • a minha mãe sendo fofa
  • dicas sobre os paletes
  • doce que a mãe fez 
  • perceber minha evolução nesse tempo todo de cartório 
  • e me perceber inteligente e confiante
  • ir com meus amigos na aula
  • conversar com antigos amigos da escola e a sensação de costume e tranquilidade

13.2.19

Rosquinhas #2



10/02 à 12/02

  • por conversar com o G.
  • a maionese do almoço do aniversário.
  • a conversa com meus primos.
  • aquele momento de descontração entre família que eu não sentia há muito tempo com eles.
  • o bom humor do R.
  • a mensagem de saudade do I.
  • a foto com a S. que me fez querer voltar pra sexta-feira e viver tudo de novo.
  • o top que eu comprei.
  • por escrever a carta dos 21
  • os planos com a T. que eu espero realizar.
  • ver as unhas cortadas e limpinhas.
  • as conversas com minhas tias.
  • por tentar enxergar as pessoas para além do que foi deduzido, dito, ou imaginado.
  • estar feliz, querendo fazer coisas
  • ter passado
  • a felicidade da minha mãe
  • a felicidade em mim, pura e simples
  • meus pais
  • a soneca no carro
  • ficar bem na foto 3x4 
  • o ar condicionado da biblioteca
  • a gentileza e pureza da J
  • ganhar um lanchinho com suco que estava sensacional
  • pela soneca no ônibus, fazia tanto tempo
  • por ter derramado uma meia dúzia de lágrimas que levou parte da angústia embora
  • a chuva
  • a ter deixado o guarda chuva no serviço
  • pela blusa de frio emprestada
  • por conseguir prestar atenção em quase toda a aula
  • as fotos da gatinha
  • o omelete de forno que minha mãe deixou e eu não estava esperando de jeito nenhum
  • o bolo de banana
  • os planos com meus amigos
  • o cheiro do G. exatamente o mesmo de sempre
  • minha família
  • a moeda na minha cadeira. 
  • os elogios aos meus poemas.

8.2.19

Rosquinhas #1

Oi, você aí!

Hoje (06) eu estou cheia de ideias, de coisas que eu quero fazer, realizar, trabalhar na minha vida. Eu amo essa sensação, o misto de vontade, esperança e possibilidade. Uma dessas ideias eu tive durante meu horário de almoço, eu planejava escrever coisas pelas quais eu estava grata e feliz, por vários motivos:
  • eu estive triste na ultima semana;
  • com sentimentos conflitantes nos últimos dias;
  • quero atrair melhores energias;
  • quero conseguir por mais em perspectiva as coisas boas que estão comigo mesmo nos dias em que eu não estou me sentindo tão bem quanto poderia;
  • e aceitar e aproveitar as rosquinhas da vidas, apesar de qualquer coisa.
O que me levou a pensar que sempre quero fazer isso, começo mas paro, ou porque esqueço, ou porque cansa manter um aplicativo, ou um registro, no entanto ainda queria escrever pra pensar melhor sobre. Ainda queria colocar isso em um lugar onde eu pudesse reencontrar, e eis que lembrei do Luft. Porque não, sabe? Então já que não tem um motivo para não ser, que seja.

É isso, não há promessas de constância ou frequência, só há. É o que eu tenho tentando manter em mente, há e isso é o suficiente, não precisa ser para sempre, só precisa ser bom. Assim nasce a coluna Rosquinhas!


06-02 à 09/02
  • ver minha mãe feliz com as coisas que ela viu no celular, por saber que eu ajudei ela nisso
  • comprar frutas
  • o dia calmo no serviço
  • meus amigos
  • por estar animada e com ideias
  • o bom dia da Dani
  • por estar com esperança e saber que estou caminhando para me melhorar 
  • pelo meu celular ter dado sinal para eu conseguir receber aquela ligação
  • as coisas do canva
  • a entrevista
  • por ninguém ter percebido a mancha na roupa
  • a biblioteca municipal
  • os post antigos do meu blog
  • a mensagem de eu te amo da minha mãe
  • a minha psicóloga, aquele anjo
  • o sentimento de que vai dar certo
  • a fé no meu caminho 
  • por gostar de poemas que escrevi lá atrás
  • pastel com garapa
  • sair com meus amigos
  • acertar na escolha dos drinks
  • inovar no look, mesmo que bem pouco
  • almoço vegetariano
  • dormir no ônibus
  • vir no banco sozinha
  • achar tecido parecido com o que queria pra customização e não ser caro
  • experimentar roupas e me sentir bonitas nelas
  • gostar do meu corpo no provador
  • amizade da S. e do J.
  • relativo bom humor do R
  • conversas com minha mãe
  • perceber os pequenos apoios da minha família
  • riscar itens na lista dos 21 e dos 101
  • rolês que consegui "organizar essa semana" 
  • conhecer gente nova

26.12.18

Um ano que eu não vou saber resumir

... não que eu saiba resumir algo.

Como todos os anos 2018 passou muito rápido para mim, mas ao mesmo tempo quando eu lembro das coisas que aconteceram antes de julho parecem outra vida. Ainda vou acabar escrevendo algo sobre a nossa percepção do tempo e a loucura de tudo isso, mas uma outra hora.

2018 também foi um ano merda de forma coletiva, e sei que todos os meus amigos sentem isso, mas outra coisa que senti e percebi que, principalmente, minhas amigas estavam sentindo é que pessoalmente e individualmente também foi um ano que nos trouxe boas realizações (na maioria internas e pequenas) e crescimento, aprendizado e um pouco da percepção das coisas pelas quais devemos ser gratas.

Resumir 2018 em uma palavra ou frase parece muito difícil, e não acho que me esforçarei em tentar porque não é preciso. 2018 foi difícil, deu medo do agora e do futuro, foi cheio de incerteza, insegurança e decisões que nem sabia se estava preparada para tomar, confusão, frustração e estresse. 

Mas também foi cheio de amigos, de carinho e de vida. De crescimento e um pouco de coragem, de redescobrir e relembrar verdades esquecidas. De terapia, e um pouquinho de espiritualidade. De sentir um tiquinho o gosto da liberdade, de precisar olhar para confusão mental e arregaçar as mangas para lidar com a ansiedade que consome. 

No Natal eu acordei com duas cartinhas muito especiais de pessoas muito queridas no meu email, que me fizeram lembrar de muitos sentimentos bons e querer escrever isto aqui, que me fizeram pensar que tá tudo bem, nós estamos aqui. É difícil aceitar as rosquinhas da vida, a vulnerabilidade necessária, os riscos de sair da caverna, mas eu sei e gosto de continuar acreditando que valerá a pena, que nós vamos ficar bem, ser feliz, dar certo como pessoa e todas essas frases cafonas que eu AMO/SOU. 

Continuemos.

21.12.18

Eu não sou uma pessoa que corre
Eu ando

Normalmente,
eu
ando

Só que
em alguns dias
eu corro

Mesmo sem fôlego
eu corro

Mesmo pesando
eu corro

Porque não tenho fôlego
eu corro

Porque está pesado
eu corro

Para tentar achar ar
Para ficar mais leve
Eu corro

Hoje eu corri



20.12.18

Meu peito não consegue inspirar todo o ar que preciso.
Meus braços são curtos demais para abraçar o mundo que quero.
Meus passos muito pequenos para chegar tão rápido.

O tempo não é o suficiente.

- Angústia

9.12.18

Quando bate aquela saudade

Maria a tinha visto um ano atrás, também no sete de setembro.
Não por acaso insistiu com a família para alugarem com os tios a mesma casa de praia para o feriado deste ano. Ninguém sabia que um ano antes naquela noite que Maria voltou de manhãzinha antes de qualquer um acordar estava com a garota dona da casa vizinha. Não sabiam que elas tinham dormido na praia, perto das pedras altas e escuras do lado sul, porque estavam cansadas demais para se darem conta que estavam caindo no sono sobre um cobertor na areia depois de terem andado tanto e beijado tanto. Ninguém sabia de nada sobre aquele sábado perfeito antes de tudo acabar num domingo cinzento. Então não houveram desconfianças de seus motivos. 
E a própria Maria tentava não pensar que muito dos seus motivos giravam ao redor de uma mesma garota de olhos grandes e pretos. Ocupava-se com os outros, que não tinham a ver com ela: A praia com poucas pessoas; a sorveteria há alguns quarteirões de distâncias com o melhor milkshake de café com creme de avelã que ela já havia provado; as conversas com o primo Otávio que adorava tanto, mas via tão pouco; o café da manhã na mesa grande compartilhado com toda a família; as caminhadas com a mãe e a tia ao pôr do sol. 
No entanto, quando o carro parou em frente à casa e sua irmã mais nova saiu correndo, carregando a pelúcia de robô que havia ganhado no último aniversário, Maria não conseguiu evitar olhar para os vizinhos, perscrutar a entrada em busca de indícios da presença dela, mas não havia qualquer sinal de que haviam pessoas lá, de que ela estava lá. 
Percebeu que o feriado poderia se transformar em longos dias angustiantes na dúvida crescente se ela estaria ali, se a veria, como estaria...? Ainda teria os cabelos no ombro? Ainda poderia segurar sua mão? Entregar todos os beijos que passou o último ano querendo entregar? Ainda pegaria no sono cansada e acordaria outra vez ao seu lado, sem saber bem como aquilo havia acontecido? Encontraria seus olhos e pensaria que amava aquela garota que mal conhecia, e diria em voz alta sem pensar, mesmo sabendo que não poderia amar alguém assim tão rápido? 
Percebeu que estava com saudades de tudo e, enquanto puxava sua mala do porta malas cheio, desejou baixinho que houvesse uma segunda vez para elas.
 ***
Maria havia ficado sozinha na praia depois de Otávio ir tentar a sorte em conseguir alguma bebida da cozinha sem que seus pais vissem, com sorte o champanhe. Mas já fazia um tempo desde que ele havia subido e não voltara ainda. O sol havia se posto agora e a escuridão começava lenta e gradativamente a encobrir tudo. 
Maria não estava preocupada, no entanto, o dia havia sido longo e praticamente perfeito com seu primo na praia. Quase não pensou em sua vizinha, quase porque ela acabava aparecendo no fundo de sua mente quando menos esperava por conta de um sorriso, uma piada, um canto específico da praia.
Maria deixou a cabeça cair para trás até recostar na cadeira e ficou encarando o céu esperando as primeiras estrelas. 
Ela ouviu Otávio se aproximando e o barulho do seu corpo ao sentar-se ao seu lado.
— Conseguiu o champanhe? — um sorriso veio automaticamente, e sentiu que isso também pedia um pouco de esforço, estava mais cansada que imaginou.
Não houve respostas, mas uma risadinha veio logo. Maria voltou sua cabeça ao normal antes de conseguir ver a primeira estrela. Era ela ao seu lado, os olhos pretos pareciam ainda maiores e mais profundos, seus lábios desenhavam um sorriso sereno e Maria quis beijá-la, sem dizer nada antes, sem perguntar coisa alguma, sem acabar de absorver sua presença primeiro. O cansaço sumiu de seu corpo como se nunca houvesse estado.
— Oi! — Seus olhos estavam fixos em Maria como os de Maria nela. 
— Oi — se obrigou a dizer e tentou em vão parar de encará-la.
Maria olhou com mais cuidado agora, ela estava diferente do que se lembrava, os detalhes haviam sumido da sua mente nesse intervalo de um ano, percebeu. A pinta na bochecha, o espaço entre os dentes... havia se esquecido. O cabelo, no entanto, continuava o mesmo, em ondas caindo até os ombros. Sua pele estava queimada de sol, e as bochechas pareciam começar a descascar, mas na pouca luz era difícil ter certeza. 
— Quer mergulhar? 
— Claro— não precisou pensar para responder.
Maria tentou não encarar enquanto sua companhia tirava a blusa na cadeira ao lado, depois correram para o mar. O vento bagunçava os cabelos de Maria e isso a fazia rir. 
Depois, quando se beijaram na água seus lábios estavam salgados. Ia tudo dar errado, mas Maria não se importou com isso e sabia que para ela também não importava. A beijou outra vez, era só isso que importava agora. 

-Helena Guimarães
***


27.10.18

Uma carta para a antiga Helena, depois de terminar a 101/1001

24 de outubro de 2018

Querida eu do passado,

Hoje eu li a sua carta + comentários sobre a 101/1001, um dia depois de acabar o prazo para ela. Talvez atrasada, porque muita coisa mudou no tempo que você tinha para o que eu tenho agora. Muita coisa mudou em tudo.

Eu estou concluindo um processo de coração partido e quando você me escreveu em maio de 2016 você estava confusa sobre o fato de não se apaixonar por alguém em muito tempo. Você se apaixonou, você amou e agora até já acabou. É estranho não, é? Para mim isso parece tão longe no passado, eu nem me lembrava. E também me lembrei que você nem mesmo queria namorar nessa época, eu me lembro bem disso. Você só queria se apaixonar para saber que nada estava errado. Nós continuamos com esses sentimentos que não fazem sentido.

Agora eu sei que a 101 não funciona para gente (você já até devia saber), é muita coisa e muito tempo e isso sai de foco e depois as conquistas não parecem mais tão importantes... No entanto, ler ela hoje me fez perceber como eu me acomodo. Como eu me acomodei depois de um tempo trabalhando na 101 e foi ficando cada vez mais espaçadas as conquistas de cada item. E não por causa de, mas porque sempre acabamos nisso. Continuamos péssimas para fazer metas, mas acho que está na hora de começarmos; a fazer metas reais, a listá-las em um papel e as manter em mente e simplesmente fazer, FAZER COISAS. Você disse tanto isso, esse sentimento sumiu um pouco de mim... Obrigada por trazer isso e tantas outras coisas de volta a minha mente.

Antes de ler a carta eu estava vendo o nosso Instagram e algumas das fotos da época em que você fez e escreveu isso. Tudo parece tão diferente, mas eu ainda te sinto aqui dentro, pulsando em alguns momentos. Olhar o feed me fez reforçar o que eu estava pensando antes, você era muito boa em ser sua melhor companhia e você trabalhou para isso, e eu ainda sou assim, eu só precisava me lembrar melhor.

O que eu acho que quero dizer com tudo isso é que nós permitimos ao novo, como você pediu. Nós fizemos bastante coisas, fizemos coisas que nem estavam na lista, como mudar totalmente o cabelo. Nós trabalhamos num lugar que você não imaginava, tivemos muitos momentos. Mas continuamos também a mesma pessoa que se foca no que deu errado tão mais facilmente, ou pensa em coisas que queria muito não pensar, e em coisas que nem são verdadeiras. E precisamos/preciso quebrar esse vício em achar que antes estava vivendo mais e fazendo mais, porque eu tenho certeza que você acharia que eu estou melhor, ou que uma eu do passado estava, enquanto eu não acho que estou melhor.

Só que eu também sei o quanto é difícil quebrar padrões de pensamentos, eu sempre volto a isso e nunca termino. Espero continuar tentando até vencer nem que seja pelo simples cansaço.Eu espero que a próxima futura eu esteja orgulhosa de mim, como eu fiquei de você; eu gostaria muito de sentar com você no recreio, eu sei disso. E vou te usar como um guia, se preciso for.

Quanto aos itens, nós completamos 59 itens, alguns não foram feitos, outros parados na tentativa. Foi muito bom passar o fim do meu almoço lendo e tentando apenas focar nas coisas boas. Está chovendo hoje, o calor deu uma pequena trégua, e estou ouvindo Jazz! As coisas estão diferentes, eu acho que você ficaria feliz, ou pelo menos seria compreensiva sobre tudo.

Você merecia o mundo.

Nós merecemos o mundo.
Com carinho, 
Helena do futuro hahah

27 de outubro de 2018

Querida Helena de 17 anos,

voltei, descobri mais coisas a dizer para você. 

Ontem a noite eu cheguei da faculdade me sentindo triste (não pelos mesmo motivos que você se sentia), por causa do mundo. E de tudo que está acontecendo que enche nosso coração de medo. E eu não queria dormir, você sabe de qual sensação estou falando, não queria dormir triste. Então, eu abri nosso pote de moedas para contá-las. E o tempo todo fiquei conversando com a Dani a Tati e a Gih, (eu sei que você está feliz em saber que continuamos juntas no SA, eu também estou!). 

E foi bom, a tristeza não foi toda embora porque... como a gente ignora o mundo?, mas ela ficou no fundo e teve que ser o suficiente; eu estive pensando que foi muito bom sua carta, o fim do pote e da lista me encontrarem agora. Me faz acreditar em coisas maiores no universo e no tempo certo das coisas. E eu queria te agradecer, por ter começado a 101, por ter feito junto com a Dani, por ter começado um pote de moedas e me deixado um bilhete dentro dele (eu sabia que ele estava lá o tempo todo, eu nunca me esqueci). Eu fiquei muito feliz em abrir esse pote, em ter tantas moedas, foi muito gostoso. Como você já sabia, ainda não sabemos o que fazer com o dinheiro das moedas. E eu me sinto apegada a elas, para te ser sincera. Me sinto apegada a tudo que isso significa, mas eu gosto desses sentimentos, de tudo que eles me fazem lembrar, de quem nós somos. 

Eu quero continuar com esse pote, vou acabar me aventurando em outra lista doida, nada mudou! Eu espero que tudo fique bem até a próxima Helena me encontrar em uma carta (sei que estou dizendo isso mais para mim do que para você).

Continuando a linha de totalmente sincera, também foi estranho abrir o pote e ficar pensando frases como "as moedas que guardamos quando a gente não sabia que haveria medo em nossos corações quando as pegássemos de volta", às vezes o mundo pesa demais. 

Bom você vai gostar de saber que havia 101 reais no pote (tirando as 5 moedas comemorativas que não vamos nos desfazer, por motivos). 101 reais do pote da lista de 101 coisas. 101 reais redondo, mesmo se tratando de moedas! 

Acho que agora foi tudo que eu queria te contar, e nem vou me importar que essas cartas parecem só um monte de parágrafos soltos, obrigada por ter feito tantas coisas, obrigada por me encontrar agora, obrigada pelo bilhete com o "lema" da Cinderela e o dos Nerdfighters. Eu te amo!

Helena de 19 anos.

7.9.18

Uma conversa, um poema

eu você
você eu
não e,
talvez é

teus olhos
me vêem
como eu
me vejo

e como
às vezes
não vejo
mais

mas gostaria
de me
ver
pelos teus olhos

é tarde
há palavras
que precisam
sair

para, talvez
encontrar um peito
que saiba
como é

não saber

coisas que
não temos
certeza se
deviam ser ditas

mas que
precisavam
ser ouvidas

compartilhadas
numa procura
por não sei o quê

talvez eu
talvez você
eu você
você eu
- helena 

23.8.18

Sentimentos sem nome e Grace and Frankie

Esse texto contém spoilers do último episódio da primeira temporada de Grace and Frankie.

Em 2016 eu assisti Her, até hoje eu não tenho total certeza do que senti com esse filme. Uma das passagens que de vez em quando lembro é do Theodore dizendo "Às vezes acho que já senti tudo que eu deveria sentir. e que de agora em diante não sentirei mais nada novo. Somente versões menores do que eu já senti", não lembro desse trecho por entender ou concordar, embora saiba que há sensações específicas que aconteceram e não se repetirão, de forma mais dramática: que eu perdi para sempre.

Lembro desse trecho porque eu quis fazer uma lista com todas as sensações e sentimentos que eu ainda não tinha experimentando e pudesse pensar (tão pretensiosa e empolgada). Essa lista ficou salva nos rascunhos desse blog, desde então, parada no nono item. Eu nunca a excluo, nunca a levo em frente.

Hoje eu lembrei dela, porque acabei a primeira temporada de Grace and Frankie e não sabia dar nome para o que eu estava sentido. E percebi como há sentimentos que eu nem sei nomear, que eu nunca senti, e como eu andei experimentando eles no último ano e de 2016 até aqui.

O 13º e último episódio acaba com Sol chegando em casa encarando que precisa contar a Robert o que fez, enquanto Robert lê os votos que escreveu em voz alta, marcando a primeira vez que eu gostei mais de Robert do que de Sol (que eu lembre.) ao som de música triste e linda. Sol beijou Frankie e traiu Robert, depois de trair Frankie com Robert por tanto tempo. Grace se tornou a personagem mais sensata da série.

Pela primeira vez eu não peguei ranço de um personagem no momento em que ele trai* (Hamilton me iniciou nisso), e enquanto Sol atravessa a frente da casa eu fiquei pensando em como eu tinha ódios e amores tão bem definidos quando tudo começou naquele restaurante, e agora estava tudo muito mais complexo do que isso. É difícil odiar alguém dessa série.
*pensando bem nem daria para ter começado a série?

Enquanto Robert declarava seu amor e Sol fazia a cara triste que ele faz tão bem, e Frankie abraçava Grace com um cobertor em uma caminhada na praia, eu não sabia o que eu estava sentindo. Eu queria um abraço acho, um abraço significativo de alguém que compartilhasse aquilo.  Mas eu não sabia se estava triste, certamente não estava feliz.

E não havia palavras em minha mente para descrever aquilo e entender. E eu precisava conseguir nomear para conseguir entender. e eu queria muito entender o que era aquela sensação no peito, o que eu estava pensando sobre tudo, mas não consegui.A linguagem ainda não é o suficiente para os sentimentos em mim.


faltam fotos de boa qualidade de Grace e Frankie na praia
***

A lista de sensações que nunca senti que estava salva nesse blog tinha os seguintes nove itens:

Conhecer amigos virtuais
Viajar de verdade
Explorar um lugar com alguém especial
Amar profundamente alguém, romanticamente falando 
Sensação de andar de avião
De cantar com uma multidão 
Sentir que está vivendo a vida que sempre quis
Que pode comprar tudo o que quiser 
O gosto da coragem

Fico feliz de perceber que os 4 primeiros podem ser riscados, dependendo como considerarmos alguns. E estou pensando se posso ou não riscar outros. 

Agora eu posso libertá-la dos rascunhos para sempre!


5.6.18

Nosce te ipsum e a busca pelo autoconhecimento

09-05-2018

Olá!

Três anos atrás, eu sentei pela primeira vez em uma sala para fazer terapia. Eventualmente, minha então psicóloga me disse que eu estava ali em busca de me conhecer e isso era muito bom. Três semanas atrás, meu terapeuta disse que eu (e todas as pessoas) preciso buscar me autoconhecer profunda e integralmente. Em paralelo a isso, como não poderia deixar de ser a Dani e eu temos conversado e pensado bastante a respeito.

Nosce te ipsum, expressão em latim para "Conhece-te a ti mesmo", como dizia Sócrates, foi uma das metas de 2018 dela (Dani), e me apaixonei. Agora tenho duas expressões favoritas em latim (a outra é Ic et nunc, "Aqui e agora", se você estiver se perguntado). Coincidência ou não, as duas falam de coisas que tenho buscado através dos anos. Viver o aqui e agora; me conhecer. Também através dos anos minha ansiedade me faz viver cada vez mais no futuro, e as tantas nuances de mim mesma que vou descobrindo nos novos momentos da minha vida me fazem ficar mais confusa quanto a tão temida pergunta "quem sou eu?", e todas as outras seguindo essa linha. 

E nessa busca (nas poucas horas vagas) sobre o autoconhecimento, eu acabei percebendo que não sei o quê ou como fazer para me autoconhecer. Como a gente se conhece? Como eu vou conseguir descobrir, seja lá o que for que eu precise entender, para ME entender? Quem ensina isso para a gente? Ou melhor, por que ninguém ensina isso para a gente?

05-06-2018

Eu esperei e tentei através dos quase trinta dias entre os primeiros parágrafos e esse para descobrir formas que me levassem mais perto do meu conhecimento sobre mim mesma para contar aqui. Alguns dias eu tentei perguntas e aplicativos, outros somente percebi coisas em mim durante acontecimentos cotidianos e achei que aquele era o meio de fazer. 

Agora, percebo, que esse post nunca foi sobre ter uma conclusão de como me conhecer, era apenas um passo nesse caminho que ainda estou a descobrir, apenas uma forma de dizer "ok, posso 'dizer em voz alta', eu realmente quero tentar isso" e ver onde posso chegar.

Acho que, me autoconhecer como mulher, como pessoa, entender os fatores que me trouxeram a esse momento em mim, meus sentimentos, meu meio familiar e social, e olhar com carinho e gentileza para o lugar de onde vim, aquele em que estou, para minhas feridas: abertas, cicatrizadas, ou sangrentas é extremamente importante para entender o meu caminho na minha vida; em termos espirituais, entender o meu caminho no universo, na minha vivência terrena e além dela.

Gosto de pensar que ainda estou seguindo a estrada que aquela Helena de três anos atrás começou. E que cada vez mais estou mais perto de chegar onde eu planejei chegar, embora, às vezes, tudo pareça muito louco.
 - Lena

28.12.17

Tartarugas até lá embaixo


  "Às vezes você lê um livro, às vezes ele lê você." - O diário de Anne Frank

Foram muitos anos sem sentir isso — e na verdade, duvidando —, mas aconteceu esse final de semana. As crises pela realidade se misturaram com as crises pela ficção, o que era Aza com o que era Helena. Tantos anos depois de Will e Will, e Green ainda me encontra quando tudo faz sentido. Quando precisava encontrar. E isso acabou com a véspera de Natal e o Natal em si. Nunca tantas crises em tão pouco tempo, ainda me cansa relembrar. O entendimento foi tão grande que talvez tudo esteja pior do que eu pensei, começando pela minha cabeça. Mas no dia seguinte, não tinha mais certeza de nada, porque não podia ser tudo tão igual, não é? Só que Aza conheceria a sensação de não confiar no próprio cérebro. 

Às vezes tudo acontece, quando a gente nem lembrava mais que poderia acontecer. E, dolorosamente, se percebe que não é bom.

12.11.17

TAG Meus hábitos de escrita


Olá, pessoas!

Daninha, do ConversaCult, me marcou para responder a TAG Meus Hábitos de Escrita, e cá estou eu vivendo a tentativa. A TAG foi feita pela Pam Gonçalves aqui no BR, e é baseada na TAG gringa criada pela Kristen Martin. 

ONDE EU ESCREVO?

Hoje em dia isso é relativo. Já escrevi em vários lugares, meus últimos dois contos e inícios de alguma coisa (só Hygge veio a público deles) eu escrevi no trabalho (na hora do almoço) e no meu quarto. Nunca escrevi em lugares públicos e de algum forma ou outra tudo sempre acaba em casa. Antes de começar a trabalhar eu só conseguia escrever no meu computador de mesa aqui, até hoje ão consigo perder a sensação de que alguma coisa está errada quando escrevo em outro lugar, mesmo que às vezes seja necessário. Mas também, .+desde de que estou com meu notebook não consegui de volta a sensação de que tudo está certo, como tinha antes #dramática

COMO VOCÊ SE ISOLA DO RESTO DO MUNDO ENQUANTO ESTÁ ESCREVENDO?

Ficando sozinha. Não gosto de ficar sendo interrompida quando pego a vibe daquela história e estou empolgada escrevendo. De uns tempos para cá, tem ficado mais difícil me isolar por motivos de celular do lado o tempo todo, mas eu tento, desligando o wifi, escondendo o celular e avisando meu namorado que vou escrever, o que significa, tentar dar uma sumida. Internet é uma grande tentação e me influencia a enrolar muito.

COMO VOCÊ REVISA O QUE ESCREVEU NO DIA ANTERIOR?

Não reviso, não gosto de voltar. Quando não me lembro bem onde parei ou da onde preciso começar para seguir, leio os últimos parágrafos da história. Quando estou há alguns dias sem escrever tento ler tudo que vai me ajudar a lembrar o que eu estava fazendo. Enquanto faço essas leituras tento não revisar nem modificar nada, é mais difícil quando estou há dias afastada e em histórias curtas que parecem fácil mexer aqui e ali. Mas não é uma boa ideia, porque acabo não indo a lugar nenhum e adiantando o processo de edição, sem nem ter concluído o de escrever.

*Gosto de escrever todo dia quando começo, dias afastadas me fazem mudar o olhar ou os sentimentos com pontos da história e isto não costuma ser bom, porque acabo abandonando (quando estou no começo) ou empacada na história. 

QUAL A SUA PRIMEIRA ESCOLHA DE MÚSICA QUANDO NÃO ESTÁ SE SENTINDO INSPIRADA?

Quando estou escrevendo histórias não costumo escrever com música, me atrapalha a pensar. E a música também não é um recurso que busco muito quando estou sem inspiração, não é uma constante. Com alguns projetos eu tenho músicas que de alguma forma me inspiraram, nas letras ou nas melodias, e houveram épocas em que escrevia com som, mas eram músicas que eu apenas gostava ou não me atrapalhavam a pensar, não que eram daquela história ou fontes de inspiração.

O QUE VOCÊ SEMPRE FAZ QUANDO ESTÁ LUTANDO CONTRA O BLOQUEIO DE ESCRITA?

Roubando as palavras da Dana "sofrer" e me sentir uma farsa.

Quando recobro o pensamento racional eu procuro ler os últimos parágrafos ou capítulos que escrevi (em histórias curtas, isso não funciona tão bem, e se você acompanha meu trabalho sabe que tudo escrito nos últimos anos foram histórias curtas.........); Busco opiniões, conversando sobre a história, tentando descobrir onde está o motivo do bloqueio. Me lembro que não preciso pensar muito na primeira etapa, apenas escrever. E tento pensar no que precisa vir a seguir na sequência de acontecimentos da trama. Qual a próxima cena? Como vou chegar a ela? Ou só preciso ir direto para ela sem preâmbulos? Às vezes me bloqueio pensando que não sei como continuar uma cena, sem perceber que não tem nada mais pra fazer ali, não preciso continuá-la, e a próxima cena não precisa ter um gancho nesta atual. Só preciso ir. Isso faz sentido?

Por exemplo: Protagonista está na festa com a crush. O que precisava acontecer nesta festa já aconteceu e são 22 horas da noite, mas elas não irão embora ainda. E o próximo passo que a história precisa dar é o almoço em família do dia seguinte. Fico bloqueada tentando "acabar" a cena da festa e levar minha protagonista para o almoço de uma forma sequencial, quando eu só preciso começar outro capitulo no dia seguinte na hora do almoço. Porque não há nada mais entre as 22 horas do sábado e às 11 horas do domingo que precise ser contado. Ou detalhado, por exemplo, o fato dela ter ido dormir muito tarde pode ser mostrado pelas olheiras e os bocejos durante o almoço, não preciso acompanhar a personagem indo para cama de madrugada tomando cuidado para não acordar ninguém.

QUAIS FERRAMENTAS VOCÊ USA ENQUANTO ESCREVE?

Word ou o Google Drive para escrever, o próprio Google para pesquisas, papel e caneta para me orientar porque as vezes preciso rabiscar as coisas com minhas próprias mãos para entender. E costumo conversar sozinha fazendo isso.

Em algumas histórias uso tudo isso, em outras só um ou outro. Depende muito. Nunca escrevi nada completo a mão, às vezes começo por falta de computador e porque não me dou muito bem no celular — embora use o celular na falta de papel e caneta, ou por que eu nunca sei o que vou querer.

Ainda estranho a aparência do Docs do Google quando estou escrevendo, e isso me atrapalha. Faz eu sentir que o que está sendo escrito não está bom, ou me impede de continuar, se for ali. Sou doida assim.

QUAL A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PODE VIVER SEM DURANTE A ESCRITA?

Eu acho que não existe algo que não dê para viver sem enquanto escrevo. Só o próprio arquivo, mas nem é em todo o caso.

Posso escrever sem internet para alguma pesquisa, na verdade, o ideal seria não fazer pesquisas porque eu sei que isso só me faz demorar;
Posso escrever sem papel e caneta por perto;
Posso ficar até sem comida, neste momento mesmo, estou com sede porque estou sentada aqui há algum tempo, mas ainda escrevo;
E até posso ficar sem o próprio arquivo, se eu lembrar bem onde parei, ou não empacar sem alguma informação antiga.

Isto tudo enquanto estou escrevendo, não editando. Editando eu vou precisar das 30 versões do arquivo que criei, de papel e caneta, da minha lista de passos (AMÉM TO DO LIST), etc etc.

COMO VOCÊ SE ABASTECE/SE ALIMENTA DURANTE UMA SESSÃO DE ESCRITA?

Muita água, porque meu Deus eu sinto muita sede. E muita comida, porque meu Deus eu como muito. Não tenho uma alimentação especifica para as sessões de escrita, algumas vezes posso até não me alimentar, se for uma sessão pequena. E quando me alimento depende do que tenho a disposição, da hora, de vontades sem sentido.

COMO VOCÊ SABE QUANDO TERMINOU DE ESCREVER?

No primeiro rascunho: quando eu não acho que precise dizer mais, e a tentativa é só uma enrolação. Algumas vezes sei de antemão como a história acaba, algumas não, e algumas acho que sei. Mas no fim, sabendo ou não que seria aquela cena a final, é só o sentimento e/ou o pensamento racional de que não há mais o que ser dito que faça diferença. 

Na edição é quase a mesma coisa, e quando concluo a última leitura de revisão (depois de ter mudado tudo que precisava, e só estou vendo se tá mesmo certo) e não aguento mais mexer naquela história.

Se for a cada dia, como a Dana mencionou, é quando acabo o que tinha "planejado" ou queria muito escrever aquele dia, e quando o cansaço ou a falta de inspiração me vencer. O que acontecer primeiro. Ah, ou quando algo externo me atrapalha ou eu me deixo distrair.

***

É isso, espero que tenham gostado e meu sono não tenha atrapalhado (muito) a qualidade, vou deixar em aberto pra quem quiser responder, e marcarei especificamente minhas amigas da Tertúlia (Giu, Dani, Gih, Tati e Isa, se ela voltar a escrever) e o Felipe do Não Sei Lidar

31.8.17

Um poema estranho

Dói tudo.

Dentro e fora.
Fora e dentro.

As pernas
de tanto
andar
pra lugar
nenhum.

As costas
às vezes 
o mundo
pesa demais.

Os braços
de nadar
pra morrer
na praia.

Os pulmões
por tentar
respirar
depois dos socos
na barriga
que a sua indiferença
me dá.

E os olhos
em ver
seu desamor.

E o corpo todo
toda vez
que me toca.

E toda vez
Que não toca.

- um poema estranho que achei em meus rascunhos

30.7.17

Hygge, um conto

Oi, mundo!

Dia 19 desse mês, fez um ano que eu publiquei meu primeiro conto, Quarto minguante lá no Wattpad, vieram outros depois desse, nenhum aqui no Luft. Mas hoje nessa manhã de domingo será o dia em que tudo mudará! SIM, TEMOS CONTO NOVO E INÉDITO!!!

Para um blog de nome sem tradução, um conto de título também sem tradução: Hygge. Lê-se "hoo-ga", é uma palavra do dinamarquês, segundo o dicionário do bem, que significa entre outras coisas, "ter prazer na presença de coisas leves e suaves, paz". E pareceu o único título possível para minha história que no final é só sobre a paz e o prazer nas coisas simples e pequenas de uma manhã de domingo tranquila. Espero que vocês também se sinta em paz lendo!

Sem mais delongas...



Os raios de sol fazem um caminho da janela até a mesa de madeira, refletindo no vidro da tigela com uma dúzia de laranjas, ainda em processo de amadurecimento, que mamãe comprou ontem na feira. O centro de mesa com crochê embaixo da tigela está amarrotado — eu o estico. Encho um copo com água da torneira e sento na ponta da mesa para não interromper o caminho da luz. 
Ouço o vizinho falar com seu cachorro; são 07:56 da manhã, eles devem estar prestes a sair para correr. Bebo a água enquanto acompanho com os dedos os bordados de rosas amarelas e folhagens verdes no centro de mesa. Consigo ouvir o vizinho e o cachorro descerem as escadas e fico na espera da batida alta do portão de ferro ao ser fechado.
Completo a água no copo mais uma vez e abro a janela para regar o cacto e as suculentas no peitoril. Tomo cuidado para não colocar água demais nos três pequenos vasos coloridos. Amarelo para Órion, o cacto, rosa para Alnitaka e roxo para Mintaka. Alnilan, a terceira das suculentas e a segunda das Marias na constelação, morreu há dois meses; seu vaso era turquesa. Agora ele fica escondido na área de serviço, retirado de sua função.
Quando acabo, deixo a janela aberta e a brisa fria faz com que os pelos dos meus braços se arrepiem. Vou atrás de algo para esquentar e encontro o cardigã verde escuro de mamãe esquecido sobre o sofá. Ele sempre parece mais macio e quente do que qualquer um dos meus. O tecido pesado faz um contraste engraçado com minhas calças e a blusa fina do meu pijama listrado ao colocá-lo. Com a pouca luz na sala a essa hora, os sofás parecem especialmente convidativos, mas meu estômago ronca e tenho de voltar para cozinha. Assim que ligo o fogo para fazer chocolate quente ouço a porta do quarto se abrindo e mamãe caminhando até o banheiro. Ela conversa animada com nossa gata, Geórgia, sua voz ecoa pelo corredor.
Mamãe entra na cozinha alguns minutos depois, de moletom azul marinho combinando e cabelos presos. Ela beija minha testa ao me dar bom dia, Geórgia vem logo atrás dela e se esfrega em minhas pernas; eu acaricio o pelo malhado do lado do seu corpo com o pé, tomando cuidado para não me desequilibrar e nem parar de mexer o leite. Mas não consigo manter o equilíbrio por muito tempo e desisto.
— O que você está fazendo, filha?
— Chocolate quente — digo e ela emite um som de satisfação.
— O que acha de biscoitos para acompanhar? E talvez pão de queijo? — Ergue as sobrancelhas para mim. Eu sorrio. Mesmo que pão com manteiga tenha todo o charme do mundo, eu não reclamo de variar um pouquinho. E hoje é domingo, isso pede refeições diferentes.
Mamãe diz que volta em um minuto e sai pela porta em busca da nossa comida, e Geórgia se cansa dos meus pés e sobe em uma das cadeiras da cozinha. Toda a companhia que tenho. Isso me deixa em paz. Quando mamãe volta, os chocolates quentes já não estão mais tão quentes, estão do jeito que gostamos — mas que ela nunca consegue esperar ficar quando está por perto e sempre acaba com a língua queimada. Ela coloca o saco de biscoitos em cima da mesa e prova do seu chocolate. Diz que está delicioso e me agradece por tê-la esperado. Balanço a cabeça como se não fosse nada.
O pão de queijo tinha acabado, segundo mamãe, a próxima fornada ainda iria demorar uns dez minutos para sair, a padaria estava movimentada e ela achou melhor não esperar. Mas eu não me importo, ter biscoitos no café da manhã sempre me faz acreditar que aquele será um bom dia. A massa crocante por fora e macia por dentro, ainda quente, o gosto salgado que fica em minha boca, e que vai embora depois com o chocolate quente, eu adoro cada detalhe. Mamãe molha seus biscoitos na caneca de leite antes de comê-los — houve uma época em que achava isso um tanto nojento, mas hoje não. Acabamos devorando o saco todo de biscoitos, como duas crianças, enquanto conversamos.
Mamãe fala de um vestido que viu na vitrine da sua loja preferida — caro demais, vamos esperar por uma liquidação. Falo sobre o próximo lançamento daquela poeta que gostamos — não me lembro mais a data, mas mamãe acha que é em novembro. Pergunto sobre a viagem que vovó fará para o nordeste — daqui a um mês, ela ficará cinco dias fora e quer comprar um óculos de sol novo. Ela pergunta se sairei com meu pai à tarde — esse final de semana não combinamos nada—, ou com Juliana — também não combinamos nada. Eu pergunto sobre o homem que ela saiu na sexta — ela não respondeu a mensagem que ele mandou ontem. Ela pergunta se eu achei alguém naquele aplicativo — É Tinder, mãe, e não, eu desinstalei.
Nos atualizamos da vida uma da outra. Não há pressa, nem barulheira. Ninguém precisa chegar ao serviço em 20 minutos ou conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo ou revisar uma matéria para entregar até o almoço. Domingos são sagrados para ficar em paz. Não ouvimos músicas, nem no rádio, nem em nenhum aplicativo de streaming. A música errada pode simplesmente cortar o silêncio da forma incorreta e quebrar a atmosfera. O mais perto de música que chegamos é quando mamãe, e algumas vezes eu, cantarolamos enquanto lavamos a louça ou preparamos algo para o almoço. E não lemos notícias.
Simplesmente nos desligamos de tudo, e nos concentramos na nossa paz aqui, nesse tempo e espaço, em casa uma com a outra. Manhãs de domingos são sagradas para descanso. 

***

Obrigada a Gih, a tati e a Dani que ajudaram a melhorar e deixar Hygge como está agora. Vocês são ótimas ♥

Se você gostou de Hygge, você pode me ajudar compartilhando esse post ou comentando o que achou!

Tchauzinho! 

15.7.17

Únicas histórias

Um post sobre primeiros beijos, Chimamanda Ngozi Adichie e narrativas romantizadas.

Para Dani,
Que disse que precisava... 

Passei toda a pré-adolescência e parte da adolescência esperando pelo momento que eu ia parar de ser a diferente da turma e daria meu primeiro beijo. Até que aconteceu, começou e acabou e eu fiquei procurando os fogos de artifício que os livros sempre falaram, enquanto eu só me sentia NERVOUSE. Eu passei muito tempo até entender e aceitar que o problema não era eu, que não tinha sido uma má experiência e que depois seria como "é para todo mundo". Eu passei a ter certeza que os livros, filmes e tudo o mais mentem muito e eu tinha outras pessoas para confirmarem isso.

Como nenhuma verdade é inabalável, anos depois cá estou eu lendo sobre uma pessoa que se sentiu assim(!!!) na vida real (!!!!)

O que me levou ao perigo das únicas histórias. Eu não sou o problema, e os livros não estão mentindo, tão pouco. Sendo assim, o problema é que todos os livros onde primeiros beijos entre duas pessoas que se gostam acontecem, (sejam o primeiro da vida, ou o primeiro com aquela pessoa), sempre transmitem a ideia de que fogos de artifícios vão explodir e o mundo sumir. Tudo bem que acontece para alguns, mas para outros não. Esses outros são a maioria que eu conheço, e infelizmente, não lemos livros em que os beijos fossem diferentes.

O problema é a única história.

Primeiros beijos nunca foram assim para mim e eu sei que jamais serão por mil motivos, e mesmo antes quando eu escrevi cenas de beijos, adivinhem? Toda uma sensação que eu não conhecia, e achava que nem existia, mas que era assim. Porque não é romântico descrever que você surtou, que você tava tão nervosa que nem lembra, que você saiu correndo, nem nada seguindo por essa linha. Mas acontece e isso não quer dizer que você, ou a pessoa, ou o mundo é um fracasso. Só acontece, é perfeitamente normal. E, provavelmente, vai melhorar.

A gente só precisa de histórias e vozes diversas para nos ajudar nessa história de nos aceitar e encontrar nosso lugar sob o céu!

Mesmo que você nem tenha gostado desse post, por favor, veja a TED talk da Chimamanda, porque vai mudar a sua vida! :)

13.7.17

Pensamentos sobre A arte de pedir, estrelando "Ser uma fraude"




Conheço um pouco das teorias da Amanda Palmer desde 2015, quando vi e chorei pela primeira vez com a TED TALK maravilhosa que ela fez em 2013. E aí mês passado (dois anos depois) eu comecei a ler o livro que nasceu por causa da palestra, depois que toda a internet já leu e falou e escreveu sobre. Mas estamos aí. 

O "A arte de pedir" é um livro sobre a vida, e principalmente a carreira da Amanda como artista, primeiro estátua viva e depois vocalistas de bandas ou cantora solo, e como a rainha do crowdfunding (financiamento coletivo para projetos). É um retrato sincero  sobre partes da sua vida e da pessoa que ela é, e cheio de identificações.

Minhas identificações começaram conhecendo uma Amanda surtando sem conseguir dormir, brigando com a própria cabeça e antecipando o que o mundo iria dizer sobre a decisão dela aceitar ou não ajuda financeira do próprio marido. Só alguém que já ficou horas brigando com a própria cabeça, antecipando julgamentos e situações e brigas e querendo não ser tão louca sabe como é horrível isso.

Minha terapeuta diz que eu fico assim por não ter resolvido a questão, mas tem horas que eu não sei se isso é verdade, ou se eu só acredito nisso para me confortar. ¯ \ _ (ツ) _ / ¯

É muito impactante ver a "Rainha do pedir" sofrendo por não conseguir pedir. É muito real, mais ou menos como não conseguir seguir os próprios conselhos e reconhecer que há situações em que suas próprias verdades não conseguem te fazer agir ou sentir da forma como deveria e acha certo. Porque não é tão simples assim, sentir e ser é demasiadamente difícil em alguns momentos. E não adianta nada a gente ficar dizendo para si mesmo que é diferente disso, que deveríamos fazer o que acreditamos, porque não vai funcionar. Não até que alguém nos ajude a sair dessa, ou aconteça algo que nos obrigue a sair dessa porque é muito maior do que a nossa treta. Algo que doa o suficiente.


Saber que ainda continuamos sentados no prego porque não dói o suficiente não ajuda a fazer com que nos sintamos melhor — Relato de quem tentou ficar repetindo pra si mesma que não doía o suficiente para justificar porque não conseguia sair do lugar.

***

Antes de começar a ler o livro, eu finalmente consegui entender de forma real, graças a Jout Jout (sempre ela), a Síndrome do impostor (depois fiquei me perguntando: Jout Jout já leu Amanda Palmer?). As pessoas que eu leio por aí, sempre que falavam da Amanda ou do livro sempre falavam da Síndrome do impostor e de vulnerabilidade (chegarei lá também), e sabe, quando você entende algo, mas ao mesmo tempo parece que ainda não entendeu de verdade? Era eu com a tal Síndrome. Acho que pra mim o problema ficou nos exemplos focados em artistas e na história de baterem na sua porta etc.

Após o real entendimento, eu comecei a perceber que me sinto uma impostora até indo na padaria, e me questionar do que sou eu sendo afetada pela síndrome do impostor e o que sou eu reconhecendo minhas limitações? Por exemplo, eu sei que sou maravilhosa e acho um absurdo alguém não me amar e não me achar maravilhosa, AO MESMO TEMPO, que sinto que tô enganando meu namorado quando ele diz que sou muito maravilhosa. E sinto que tô passando a imagem errada e enganando todo mundo quando meus amigos dizem que tenho uma auto estima muito boa (será que vocês já me viram me sentindo não suficiente num sábado a noite qualquer?), ou que sou bem resolvida (!) sendo que eu fico brigando com minha cabeça de 3 à 5 vezes por semana. Comecei a mentalizar que isso é a Síndrome do impostor me fazendo sofrer para ver se ajuda.

E tem as vezes em que as pessoas parecem ver em mim uma capacidade ou inteligência que eu não sinto que tenho de forma alguma; e eu tenho certeza que nesses casos sou eu reconhecendo minha limitação, e provavelmente fingindo e enganando todo mundo muito bem ahahah Sinto que tenho certeza nesses casos, porque toda vez que alguém me trata como uma imbecil (e isso acontece bastante no meu serviço) eu sei que aquela pessoa está sendo cruel porque eu tenho capacidade suficiente naquele assunto pra não ser tratada como tal e ser ouvida.

***

E então vem o medo de pedir. Cresci ouvindo que ajudar é melhor que ser ajudado, e parece uma boa frase, até você começar a  perceber que isso não vem da felicidade em não estar passando nenhuma necessidade, e sim da ideia de que quando você pede você é inferior. E logo eu, filha da mãe que escutou a professora da 1º série dizendo que a filha não gostava de ajudar nem ser ajudada. Juro que melhorei na parte de ajudar... Pedir é difícil.

O medo de pedir é o fruto do medo de não ser suficiente e não merecer ajuda, amor, aceitação, reconhecimento. O medo de se abrir, se expor e não ser acolhida. O medo de não ser boa o suficiente, para merecer pedir, o medo de não ser bem sucedida o suficiente, o medo de não ser bonita, ou inteligente, ou engraçada...

Pedir não é bem visto, nada que quebre a imagem de pessoa inabalável e "acima de tudo" é bem visto. Sentimentos não são bem vistos. Estar vulnerável não é bem visto. Ou é cafona ou é fraco. Nem vamos falar dos milhões de personagem com lema "amor é fraqueza". Inclusive devo ter um ou outro... Passado sombrio.

Mas de verdade, as conexões reais só são realmente feitas e solidificadas quando nos abrimos e mostramos realmente quem somos. Só nesses momentos a gente consegue compartilhar do sentimento de pertencimento. Como quando você confessa uma coisa vergonhosa para alguém e esse alguém diz "eu também!" de volta, e aí nem parece mais tão vergonhosa, porque a vergonha é substituída por entendimento mutuo e identificação com aquele outro ser.

Curiosidade: A sensação de não ser suficiente é maior entre as mulheres, segundo Brené Brown. E isso me deixa triste, mas não espantada quando a gente cresce num ambiente em que a mulher nunca é boa ou bonita o suficiente, que é a culpada pelos absurdos que fazem com elas, que aprende que as outras são as inimigas.

***

Não posso deixar de falar do processo criativo e do liquidificador da arte, e da falta de reconhecimento de que o processo criativo não é só o trabalho duro enquanto se cria.

Desde o começo do livro a Amanda fala sobre coletar os pontos, conectar os pontos e depois transformá-los em uma arte final. Alguns são melhores coletando, outros conectando, outros transformando. Mas todas essas etapas são parte do processo criativo. Por isso se fala tanto para escritores lerem, músicos ouvirem, etc. e para todo artista observar o mundo, e absorver arte. As formas de coleta e conexão são várias e não existe uma certa. Nada vem do nada e nem vai para o nada.

Todas os meus amigos e amigas que escreverem e com os quais tenho mais contato, vivem se debatendo e julgando por perder tanto tempo pensando, ou fazendo playlist ao invés de sentar e escrever. Há um ponto entre o que é fazer playslist ou ficar encarando o teto do quarto pensando e o que é procrastinar por medo de não ser bom o suficiente (ser uma fraude). Esse ponto é onde estamos fazendo conexões e melhorando nosso trabalho.

E a coleta para uma obra pode durar muito tempo. e ela começa ates de você ter ideia para uma obra, e algumas vezes continua por mais bastante tempo depois dessa ideia. 

Entre a conexão e a criação final, entra o liquidificador da arte. Encarando que toda obra de arte carrega traços do autor dela vem a teoria do liquidificador. Você pega alguns dos pontos coletados e os mistura, transformando no produto final, o quanto dos pontos coletados que poderão ser visto na arte final está indiretamente ligado com a velocidade do liquidificador. Quanto menor a velocidade, mais fácil identificar as inspirações. Descobri que meu liquidificador está em velocidade baixa há um tempo, infelizmente Amanda não disse se há uma forma consciente de aumentar essa velocidade. Aceito ajuda!

***

Eu fiquei lendo o livro e juntando os pontos do que eu lia com a vida ao redor. E nem sempre isso é reconfortante, mas pelo menos era bom fazer as conexões.

Amanda fala muito da importância da comunicação sincera com o público; enquanto isso eu acredito e sei que o dialogo e  as conversas ajudam imensamente e, às vezes, são a única solução*, principalmente nas minhas questões. Mas alguns dias eu fico mal e eu não quero ter que conversar e interagir,  mesmo sabendo que o que vai me deixar bem é exatamente conversar e interagir com minhas pessoas. Pensar em responder mensagens é desgastante, mas eu sei que a única solução vai ser conversar. E aí o mundo explode, porque eu preciso fazer algo que a principio me deixa mal, pra depois me deixar bem. Como lidar?
*De verdade, falem, conversem, dialoguem, — consigo mesmo e com os outros ao redor — o máximo que der. Infelizmente cara feia não resolve nada. E acreditem, eu sou a pessoa que mais queria que resolvesse haha

***

Encerarei pedindo para vocês comentarem meus posts, mesmo que achem que não tem muito a dizer, porque é muito bom ler comentários. E leiam A arte de pedir. E meus textos e minhas histórias!


12.7.17

Satisfações

Olá!

Bem, eu sumi por meses, e agora eu volto querendo publicar dois textos no mesmo dia e querendo dizer que está tudo bem? Não está. Amanda Palmer não deixa estar! Segundo ela (e eu concordo muito), falar com o público é essencial, é mostrar o mínimo de consideração. Ninguém vai me cobrar produtividade, mas o público (!!!) precisa saber porque não está vindo nada. E eu tenho dois leitores, mas como também disse Amanda, esse é o público que eu tenho e ele merece ser valorizado, porque ele é meu. Simples assim. Os dois ainda estão aqui EU TENHO PROVAS.
Amo vocês dois, vocês sabem quem são hauahua
"Era essencial sentir gratidão pelos poucos que paravam para assistir ou ouvir [...] Eu precisava apenas de... algumas pessoas. Pessoas suficientes. Suficientes para que valesse a pena voltar no dia seguinte." - A arte de pedir
Então, vamos as satisfações: Foram muitas coisas que acabaram convergindo, e começaram lá em outubro do ano passado, quando eu troquei de emprego. Trocar de emprego no ultimo mês de aulas não é uma coisa sensata a se fazer. Evitem. Exige muito, a faculdade está cheia de trabalhos, você já está esgotada do ano e aí um emprego novo e todas as coisas novas para serem aprendidas... BOOM.. não dá. Você só se arrasta por aí. Não suficiente, novembro é um dos meses de fluxo de serviço intenso no meu emprego.

giphy (1)

Quando chegou dezembro, eu só trabalhava, conversava um pouco no celular e dormia. As poucas vezes que eu escrevi para cá, foram fruto de empenho com minhas próprias promessas, e deu um certo cansaço que eu não lembrava de sentir com o blog. Depois eu passei janeiro trabalhando e dormindo e não escrevi. De verdade, eu não li livros, vi sei lá, dois filmes. Só vivi pela rotina capitalista hahah SHAME ON ME

Com fevereiro e as voltas as aulas, a coisa piorou em relação ao tempo e a disposição. Eu trabalhava, ia para faculdade e mal dormia. Repete. Meus fins de semana se resumiam em dormir, ficar na cama, às vezes sair com o boy. Eu li uns seis livros nesse tempo e, tristemente eu digo, quase não lembro deles, pois estava física e mentalmente cansada. Finalmente, as férias novamente! Descanso e paz, certo? acho que não. Em boa parte de julho ocupei minhas noite com o cursinho do CFC (para tirar CNH), o resto eu vegetei.

Junto com tudo isso por todo esse tempo, muitas questões pessoais mal resolvidas estavam me deixando triste e desanimada, e foram se acumulando. E acumulando. E acumulando. Eu ando bem ~exausta. Aí não sobrou tempo, disposição, ânimo para nada e o Luft ficou no meio disso.

Hashtag #threefictionalcharacters no Twitter
Sinto que esse gato sou eu tentando lidar com tudo ahhaa
Estou há um mês de férias da faculdade e só agora me senti relativamente descansada para querer escrever para cá, e para voltar a escrever ficção. E para querer fazer alguma coisa a mais do que ficar na cama, jogar Candy Crush e alimentar a máquina capitalista hahah

Então é isso, eu não sou fã de satisfações, eu não gosto de ficar aqui só falando de bads (eu sei que tenho feito muito), mas é tudo verdade e pelo bem maior. Ou por consciência limpa. Ah, se eu sumir de novo, serão pelos menos motivos, se não, eu faço outro texto. Tchauzinho!